AMELIA



Não posso deixar de comentar o fabuloso trabalho do coreógrafo canadiano Edouard Lock e da sua companhia de dança, La La La Human Steps, que a 2: transmitiu no passado domingo à noite.
Amelia(2003) é realizada pelo próprio Edouard Lock e é simplesmente genial, sim porque este senhor é mesmo um génio, para quem não viu recomenda-se a compra deste trabalho uma vez que ele existe editado em dvd, eu pessoalmente já mandei vir o meu.

As Particulas Elementares



Devo confessar que fiquei mesmo muito contente por saber que o livro de um dos meus escritores preferidos, Michel Houellebecq, foi adaptado para o grande ecrã pelo senhor Oskar Roehler. Michael Winterbottom já tinha tentado adaptar outro dos seus livros, Plataforma, mas o autor já tinha outros planos para a sua obra, acabando depois por realizar o medíocre [ 9 songs ] 2004. Vamos ver o que resulta, até lá é esperar que o filme chegue aos nossos ecrãs.
Eu não sou eu nem sou o outro,
sou qualquer coisa de intermédio :
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro.

Mário de Sá-Carneiro

THE DOORS...

Não é a história dos "the doors" mas sim o livro que deu origem ao nome da mítica banda de James Douglas Morrison, The doors of perception.
Numa manhã de Maio de 1953, o escritor britânico Aldous Huxley, por efeito da ingestão de quatro decigramas de mescalina, descobriu um "visão sacramental da realidade". Alguns meses depois escrevia As Portas da Percepção, um relato jubilante da sua visita ao "Outro Mundo" que complementaria dois anos mais tarde com Céu e Inferno, onde reflectia sobre a história e natureza da experiência visionária e as implicações de a ela aceder por via química. Com o tempo os dois curtos ensaios de Huxley ganhariam o estatuto de textos fundadores da contracultura psicadélica.

Esta edição conjunta, pela primeira vez traduzida para português, de As Portas da Percepção e Céu e Inferno inclui um prefácio que contextualiza a vida e obra de Aldous Huxley à luz do seu empenhamento na causa, hoje herética, das substâncias psicoactivas enquanto agentes benéficos para a transformação pessoal e social.

"Aquele que regressa através da Porta no Muro nunca será o mesmo que por ela saiu."

Aldous Huxley (1894/1963) " As portas da percepção / Céu e Inferno " Via Optima


Não sei se o silêncio
é um ruído traído no meu silêncio
feito de ti, se cede à sede na entrega
a quem descobrir ninguém.
Somos os donos do voo; fósforo
tão rápido querido antes da queda
da noite que pode acontecer
a qualquer momento sem o peso das palavras.

Anónimo

Imagem de Octavia Monaco

Descubra as diferenças


Jean Cocteau [Le Sang d'un Poète] 1930

Poema sobre a canção da esperança

Dá-me lírios, lírios,
e rosas também.
Mas se não tens lírios
nem rosas a dar-me,
tem vontade ao menos
de me dar os lírios
e também as rosas.
Basta-me a vontade,
que tens, se a tiveres,
de me dare os lírios
e as rosas também,
e terei os lírios
e as rosas também,
e terei os lírios-
os melhores lírios-
e as melhores rosas
sem receber nada,
a não ser a prenda
da tua vontade
de me dares lírios
e rosas também.

Álvaro de Campos (Pessoa: 1888/1935) in. "Poesia" assirio & alvim
Imagem : Stephan Doitschínoff [amor da minha vida]


Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa [a] que a fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!

Luis de Camões in. "Poesia Lírica" Ulisseia


HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

Há palavras que nos beijam
como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
de imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto;
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas inesperadas
como a poesia ou o amor.

( o nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído
no papel abandonado )

Palvaras que nos transportam
aonde a noite é mais forte,
ao silêncio dos amantes
abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill in. "Poesia Completa" assirio & alvim

imagem de Lorenzo Mattotti
- somos os novos mercadores de palavras
possuímos asas imensas e um hálito extreminador
as bocas
essas aberturas que podem repentinamente expelir um
fumo que nos esconde

- caminhamos invísiveis
clandestinos
andamos por entre portas e corredores
armadilhamos os mais altos terraços
mas ELES dizem que somos meras invenções
perigos menores para o coração

Al Berto(1948/1997) in. " Apresentação da noite " assirio & alvim

Last Exit to Brooklyn



Nascido em Brooklyn em 1928, Hubert Selby Jr., que abandonou a escola aos 15 anos, estreou-se na literatura com o título, Última saída para Brooklyn, em 1964.
Apesar dos prognósticos médicos, Selby foi sobrevivendo a graves problemas de saúde e dependências várias, e viria a falecer em 2004. Nesses quarenta anos, seguiram-se apenas mais seis livros: The room(1971), The Demon(1976), Requiem for a dream(1978), Song of the Silent Snow(1986), The Willow tree(1998) e The wainting Period(2001). Entretanto escreveu guiões para cinema, entre os quais as adaptações dos seus, "Last exit to Brooklyn"(1989), realizado por Uli Edel com Jennifer Jason Leight, e "Requiem for a dream"(2000), realizado por Darren Aronofsky, com Jared Leto, Ellen Burstyn, Jennifer Connely e a participação especial do próprio Hubert Selby Jr., ( não posso deixar de dizer que é um filme fabuloso, e que nunca foi comprado para as nossas salas de cinema, saiu direito para o mercado de video, enfim...).
Última saida para Brooklyn, obra aclamada por escritores como Allen Ginsberg, Amiri Baraka ou o próprio William S. Burroughs, chega agora ao nosso mercado numa tradução de Paulo Faria, e é editado pela Antígona.

Álvaro Lapa [1939-2006]

[ auto retrato ]
Pássaro
mas não vê bem que aqueço é como ao sol vou fria e
aqueço e dou-te a ti o que guardei de dia - aquela
mancha é quase noite eu ilumino vês aquele pássaro
eu vejo e vês o que há eu conheço qualquer coisa há-de
servir para eu lembrar - conheço recolho o meu corpo
ainda seria duro e a voz dura vou fria e aqueço e
participo ao meu modo na rotação de tudo aí que passa
por mim com pés e mãos e às vezes rostos e algum
cio eu tenho de tudo o que foi já
Álvaro Lapa in. " Barulheira " & etc

Prometeu



lenda tenta explicar o que não se pode explicar; porque vem de um fundamento de verdade, tem de terminar no que não se pode explicar. De Prometeu conhecemos quatro lendas. Diz a primeira que lhe foi agrilhoado ao Cáucaso por ter traído os deuses aos homens e que os deuses enviaram águias que lhe devoravam o fígado que se renovava sem fim. Diz a segunda que, com a dor das bicadas que o atormentavam, Prometeu se apertou cada vez mais contra o rochedo até se tornarem um. Diz a terceira que passados milhares e milhares de anos a sua traição foi esquecida, os deuses esqueceram, as águias, ele próprio. Diz a quarta que todos cansaram do que já não tinha fundamento . Os deuses cansaram-se, as águias. A ferida fechou-se cansada. Restou o rochedo inexplicável.

Franz Kafka (1883/1924) in. " Contos " relógio d'água

CONTOS

" a elaboração, em Kafka, é menos admirável que a invocação. Homens, há apenas um na sua obra: o homo domesticus - bem judeu e bem alemão -, sequioso de um lugar, mesmo que o mais humilde, numa qualquer Ordem; num universo, num ministério, num asilo de loucos, na prisão. O argumento e o ambiente são o essencial; não as evoluções da fábula nem a penetração psicológica. Daí a primazia dos seus contos sobre os seus romances; daí o direito a afirmar que a antologia de contos nos dá integralmente a medida de tão singular escritor. "

Do Prólogo de Jorge Luis Borges

imagem. Robert Crumb


ORDEM E TURBULÊNCIA DO AMOR

Para começar citarei os elementos
A tua voz os teus olhos as tuas mãos os teus lábios

Eu vivo sobre esta terra e pergunto-me
Se nela viveria se tu nela não estivesses também

Neste banho postado em face
Do mar de água doce

Neste bamho que a chama
Edificou nos nossos olhos

Este banho de lágrimas jubilosas
Em que penetrei
Pela virtude das tuas mãos
Pela graça dos teus lábios

Este estado humano primordial
Como uma pradaria dos começos

Os nossos silêncios as nossas palavras
A luz que se vai
A luz que de novo volta
A aurora e o crespúsculo fazem-nos rir

No cerne do nosso corpo
Tudo se torna flor e amadurece

Sobre a palha da tua vida
Onde deito a velha carcaça

Em que me tornei por fim.


Paul Éluard in. "Últimos poemas de amor" relógio d'água

imagem de Jenny Bird Alcantara

[SUGESTÃO]

Zinoo Park - erotic dishes

A Sangue Frio


Irving Penn [Truman Capote ]


O ameriano Truman Capote foi um escritor versátil, mas a sua grande obra foi o romance não-ficção A Sangue Frio, que conta a história da morte da familia Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina.
Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da familia em 1959. Quase seis anos depois, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o exterminio do fazendeiro Herbert Clutter, da sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon, o livro reconstitui o percurso dos assassinos, Perry Smith e Dick Hikcock.
A intensa relação que o Capote estabeleceu com as suas fontes foi determinante para o êxito da obra. Além de passar mais de um ano na região de Holcomb investigando e conversado com moradores, aproximou-se dos criminosos e conquistou a sua confiança. Traçou um perfil humano e eloquente dos dois "meninos", como costumava chamar-lhes.
O filme Capote de Bennett Miller, com Philip Seymour Hoffman no papel de Truman Capote estreia em Portugal no dia 2 de Março, baseado na escrita deste romance e candidato aos Óscares, já ganhou o prémio dos Críticos de Nova Iorque e o Globo de Ouro 2006 para o melhor actor principal.

Central da Praça das Flores

Falava de incêndios e de lugares
perdidos, dessas trovoadas
que só acontecem na infância
e nos perseguem depois
uma vida inteira. Estamos
em julho, nunca fez tanto calor.

Não, corrige Benilde,
"Estamos num velório,
andam aí as moscas, a dançar".
Nesta taberna, volto a perceber,
o poeta fica por detrás do balcão
e oferece-me num largo sorriso
cansadas, certeiras palavras:

"Sou um ser vivo e humano
Até os vermes são vivos".
- Que lhes aproveite, Dona
Benilde, a nossa morte,
estas tardes que prefiro a tudo

e a sombra, o manso prodígio da sombra.

Manuel de Freitas in. "A Flor dos Terramotos" Averno

Jean Metzinger (1883/1956) [ table by a window ] 1917

Visão Invisível

Parece-me que a invisibilidade é a condição para a elegância. A elegância acaba se for notada. Sendo a poesia a elegância por excelência, não sabe ser invisível. Então, para que serve?, dir-me-eis. Para nada. Quem a vê? Ninguém. O que a não impede de ser um atentado contra o pudor, e apesar de o seu exibicionismo se exercer entre os cegos. Contenta-se em exprimir uma moral particular. Depois, esta moral particular solta-se sob a forma de obra. Exige que a deixem viver a sua vida. Faz-se pretexto para imensos mal-entendidos que se chamam a glória.
A glória é absurda por resultar de um ajuntamento. A multidão cerca um acidente, conta-o a si mesma, inventa-o, perturba-o até se tranformar noutro.
O belo resulta sempre de um acidente. De uma queda brutal entre hábitos adquiridos e hábitos a adquirir. Derrota, nauseia. Chega a causar horror. Quando o novo hábito for adquirido, o acidente deixará de ser acidente. Far-se-á clássico e perderá a virtude de choque. Por isso uma obra nunca é compreendida. É admitida.

Jean Cocteau (1889/1963) in. " Visão Invisível " assirio & alvim

fotografia. Man Ray


Reconstruo cinza, não coisas inacabadas.
Funâmbulo, aviso a queda e o vulto. Sinais que levem
uma noite estrelada à noite da pele.
De soberba e ira se confunde a relatividade da lua.
Uma sombra presta-se à vida que não serve surda e muda
às bocas a transparência das pétalas,
a pressa como se fosse a minha morte
a morrer pelo rasgão de dentro.
Falemos, por que não, da inutilidade das palavras.
De coisa nenhuma. De um deserto inteiro a doer,
suspenso pelos estames das mãos.
Do risco que o gelo faz foguear connosco os lábios.
Meta-oxigenação. Marcas de água...

Anónimo

imagem de Jenny Bird Alcantara


TANTO SILÊNCIO

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz "eu";
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras "o teu coração")?

Manuel António Pina in. "Os livros" assirio & alvim



Às vezes penso perder-me no que ganho.
Vou imitando a mentira que não mente à memória.
O que não te digo podendo
tudo dizer-te...
Mistério e segredo são, num ápice,
moldura onde não cabe
a minha ignorância. Não sei
se, tendo sido, seremos
o abraço no arrojo de sermos
mais uma preocupação para as nuvens,
um xamã pelos dedos a braços
com a terna cligrafia
da baía estanque, uma força
presa às janelas por onde ainda mal
entrassem plumas e vento mal dormido.

Anónimo in. " Subsídio, Suicídio, Ostras Geladas " frenesi

O-sabor-da-cereja



O sabor da cereja - Abbas Kiarostami (1997)

Não é fácil para um homem
sepultar a sua sombra,
encontrar o melhor
que a terra nos dá:
um esconderijo.

a língua queimada
recusa as cerejas.
Nenhuma palavra
remove da boca
o gosto a poeira.

Circula sem vida,
por montes e restos,
o corpo tresmalhado.
Alguém há-de saber
para que serve um morto.

José Miguel Silva in. "movimentos no escuro" relógio d'água

Marcel Duchamp [ nu descendo as escadas ] 1911

Engenheiro do tempo perdido


Marcel Duchamp (1887/1968)

Dadaísmo e Duchamp identificam-se, dadaísmo é Duchamp e vice-versa. Tendo partido da pintura impressionista e depois cubista, ou cubo-futurista, como bem ilustra "nu descendo as escadas", Duchamp chega ao dadaísmo, antecipando-lhe o nascimento oficial, dado que já em 1913-14, assinara como obra de arte uma roda de bicicleta e uma garrafeira. É a Duchamp que ficaram a dever-se as composições mais irónicas, que, em muitos casos, jogam com o duplo sentido e a ambiguidade: em 1919, desenhou um bigode inequivocamente masculino numa reprodução de "La Gioconda", fez-se retratar em trajos femininos, assumindo o pseudónimo de Rose Sélavy, ou seja, procedia a constantes desvios semânticos, como para confirmar fragilidade de qualquer definição, fosse ela qual fosse, verbal, artistica ou sexual. Foi o progenitor da arte conceptual, tanto por ter anteposto a ideia ao objecto, como por ter conferido ao artista uma espécie de omnipotência irónica.

Paul Gaugin (1848/1903) [Stéphane Mallarmé] 1891


BRISA MARINHA

Triste carne, ai de mim! Já li os livros todos.
Fugir! longe fugir! As aves sinto a modos
De ser ébrias de espuma entre o mistério e os céus!
Nada, nem os jardins espelhados nos meus olhos,
o coração retém quase afogado,
Ó noites! nem a luz da lâmpada tão árida
No vazio papel que brancura rejeita,
E nem a jovem mãe que ao peito o filho aleita.
Hei-de partir! Veleiro a mastrear, tu, larga
as amarras, desmanda outra exótica plaga!
Um tédio, a curtir esperanças cruéis,
crê ainda no adeus das lágrimas nos lenços!
E os mastros, talvez, atraindo os presságios
Sejam dos que o tufão verga sobre os naufrágios
A afundar-se, sem mastros nem ilhéus fecundos...
Escuta, coração, o canto dos marujos!

Stéphane Mallarmé in "Poesias" assirio & alvim

Friedensreich Hundertwasser (1928/2000)



QUERO UMA VIDA EM FORMA DE ESPINHA

Quero uma vida em forma de espinha
num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
no fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
em forma de pão verde ou de cântara
em forma de sapata mole
em forma de tranglomanglo
de limpa-chaminés ou de lilás
de terra cheia de calhaus
de cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente.

Boris Vian (1920/1959)

François Truffaut [ Jules et Jim ] 1962

Mário Botas [ Eugénio de Andrade ] 1980


URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade in. "Poesia" Fundação Eugénio de Andrade