

"se eu fosse um livro,
pediria a quem me encontrasse na rua
para me levar para casa consigo"
José Jorge Letria, in "Se eu fosse um livro" pato lógico, 2011
ilust. André Letria
http://bloguedopato.blogs.sapo.pt/
dia 27 de outubro...
Bright Future - Mit Dir by seriusad
With You With You
Within the depth of night
We snuck into your room
into the morning light
Outside Outside
Outside the air so cold
I could feel your icy breath
As I laid beside you
Inside
Inside I feltyour warmth
We laid beside so close
Inside...
Outside outside
Outside the fires blazed
The road was lined with gasoline
outside the fires blazed.
When I'm with you
When I'm with you
With you
With you
With You With You
Within the depth of night
We snuck into your room
into the morning light
Outside Outside
Outside the air so cold
I could feel your icy breath
As I laid beside you
Inside
Inside I feltyour warmth
We laid beside so close
Inside...
Outside outside
Outside the fires blazed
The road was lined with gasoline
outside the fires blazed.
When I'm with you
When I'm with you
With you
With you

Quando um galdério tem uma ideia brilhante partilha‑a logo com outro vadio. Colectivização intelectual. Uma grande ideia fica a secar se não for disponibilizada. E como não há dois sem três, estende‑se a rede e monta‑se a urdidura. Vala grande, saltar de trás. Ponderadas as valências de cada factor e os recursos disponíveis, o projecto avança, científico e inseguro. Quando duas irmãs, já entradas na vida, sonham com teres e haveres, mundos melhores, segurança de estado e paz de espírito, o destino costuma intrometer‑se, turvar os planos, rasteirar os desígnios. Dessas contrariedades é feita a literatura que se dá mal com os harpejos dos anjos nas nuvens e prefere o diabo, sempre atrás da porta, vigilante, até a rezar. Quando um ancião rabugento anda por aí a bengalar à solta, ocorre a alguns visionários que ele está mesmo a pedi‑las.
Mário de Carvalho "quando o diabo reza" tinta da china, 2011
leitura recomendada...
Com uma elevadíssima dose de originalidade e sentido de humor, Tomi Ungerer transforma uma enorme serpente num fiel animal de estimação de uma adorável velhinha. “Crictor” resulta da insólita mescla entre o exotismo africano e o refinamento da antiquada sociedade francesa, aqui tratada com ironia e de forma surrealista. Este laureado clássico de 1963 mantém ainda todo o seu vigor, e frescura também, para continuar a cativar novas gerações de leitores.Longe de aterrorizar, Crictor é uma jiboia dócil que Ungerer humaniza e descontextualiza, chegando a extremos surpreendentes, visíveis no detalhe das ilustrações, salpicadas de suaves tons verdes: desde vesti-la até pô-la a frequentar a escola, e inclusivamente levá-la a ir tomar um refresco ou a passear num parque cheio de neve… No final, será um ato heroico que a transformará numa personagem célebre e admirada por toda a cidade. Com um pouco de imaginação, trata-se aqui de um forte candidato ao título de “melhor amigo do homem”
Tomi Ungerer "Crictor" kalandraka, 2011

Durante os meses de Outubro a Dezembro de 2011, todos os desempregados e jovens à procura do primeiro emprego beneficiarão de um desconto de 50% em todos os cursos da Booktailors.
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AH, DIZ-ME A VERDADE ACERCA DO AMOR
Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
Há quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso não servia para nada.
Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agradável?
É áspero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
É cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
É um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatlânticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferroviários.
Uiva como um cão de Alsácia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?
O seu canto é estrondoso nas festas?
Ou gosta apenas de música clássica?
Interrompe-se quando queremos estar sossegados?
Ah! diz-me a verdade acerca do amor.
Espreitei a casa de verão,
E não estava lá,
Tentei o Tamisa em Maidenhead
E o ar tonificante de Brighton,
Não sei o que cantava o melro,
Ou o que a tulipa dizia;
Mas não estava na capoeira,
Nem debaixo da cama.
Fará esgares extraordinários?
Enjoa sempre num baloiço?
Passa todo o seu tempo nas corridas?
Ou a tocar violino em pedaços de cordel?
Tem ideias próprias sobre o dinheiro?
Pensa ser o patriotismo suficiente?
As suas histórias são vulgares mas divertidas?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
Chega sem avisar no instante
Em que meto o dedo no nariz?
Virá bater-me à porta de manhã,
Ou pisar-me os pés no autocarro?
Virá como uma súbita mudança de tempo?
O seu acolhimento será rude ou delicado?
Virá alterar toda a minha vida?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
W.H. Auden, in "Diz-me a verdade acerca do amor" relógio d'água, 1994
trad. Maria de Lourdes Guimarães
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