leitura recomendada...


«A partir da vida de empregados de escritório em Nova Iorque, de um taxista que ambiciona a imortalidade, de jovens romancistas frustados, de professores desprezados pelos alunos, de homens do subúrbio e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martínis e bares de jazz sem "glamour" nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio. Publicado a seguir ao romance que o consagrou - "Revolutionary Road" -, o conjunto de onze histórias - ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão - cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desajustamento social.»

Richard Yates "Onze tipos de solidão" quetzal, 2011
trad. Nuno Guerreiro Josué

dia 17 de junho nas livrarias...

«Este é o primeiro livro de Patti Smith em prosa. É um livro de memórias - que começa no Verão em que Coltrane morreu, no Verão do amor livre e de todos os motins, no Verão em que conheceu a figura central deste livro, o lendário fotógrafo americano Robert Mapplethorpe. Mas é também o retrato de uma época - dos dias do Hotel Chelsea, da Nova Iorque do fim dos anos 1960 e início dos anos 1970 - e uma comovente história de juventude e amizade. Uma fábula em que encontramos poesia, "rock'n'roll", sexo e arte e que começa numa história de amor e acaba numa elegia.»

Patti Smith "apenas miúdos" quetzal, 2011
trad. Jorge Pereirinha Pires

CARÍCIA DIVINA

Cordeiro do Senhor nunca queiras escravo.
A hóstia branca que levamos à boca
é a mesma lua cheia que ilumina
o meu corpo a deslizar no teu.
Porque deus é amor e nós fiéis.
Porque nos fez com uma carícia
assim te acaricio e me cobres
de felicidade pela noite dentro.
Bendito seja quem assim ama.
Livrai-nos Senhor de todos os cordeiros
e dai-nos um ao outro cada dia.


Rosa Alice Branco, in "Gado do Senhor" & etc, 2011

A UMA CAVEIRA

Esta cabeça, quando viva, teve
na arquitectura destes ossos coesos
carne e cabelos, por que foram presos
os olhos que olhá-la ela deteve.
Aqui a rosa de uma boca esteve,
murcha com beijos frios, já não acesos;
aqui os olhos de esmeralda impressos,
a cor que tantas almas entreteve.
Aqui o raciocínio em que existia
o princípio de todo o movimento,
das potencias aqui toda a harmonia
Mortal beleza, papagaio ao vento!,
- onde tão alta presunção vivia
Desprezam sempre os vermes aposento?

Lope de Vega, in “Antologia poética” assírio & alvim, 2011
trad. José Bento

CADERNO AZUL Nº 10

Era uma vez um homem ruivo, sem olhos nem orelhas. Também não tinha cabelos, e só por convenção lhe chamávamos ruivo.
Não podia falar porque não tinha boca. E nariz também não.
Nem sequer tinha braços e pernas. Também não tinha barriga, nem coluna vertebral, nem mesmo entranhas. Não tinha coisa nenhuma! Por isso pergunto de quem estamos nós a falar.
Desta forma é preferível nada acrescentarmos a seu respeito.

Daniil Harms, in “Crónicas da razão louca” hiena, 1994
trad. Sérgio Mota

nova edição a 17 de Junho nas Livrarias...


"Gráfico de Vendas com Orquídea" apresenta um conjunto de textos seleccionados pelo autor - originalmente escritos entre 1977e 1993 e acrescentados do subtítulo «e outras formas de arrumação de conhecimentos». Com este volume, a Quetzal conclui a série de obras de Dinis Machado publicadas em vida - e, ao mesmo tempo, anuncia a publicação de vários volumes temáticos dedicados ao cinema, à literatura ou ao desporto.

Dinis Machado "gráfico de vendas com orquídea" quetzal, 2011

dia 20 de Maio nas Livrarias...


O mais recente livro de Julian Barnes é, entre muitas coisas, uma memória de família, um diálogo com o irmão filósofo, uma meditação sobre a mortalidade e o medo da morte, uma celebração da arte, uma discussão com e sobre Deus e uma homenagem ao escritor francês Jules Renard. E aos pinguins.

Julian Barnes "nada a temer" quetzal, 2011