"procurei em todo o universo o repouso e não o encontrei em mais parte nenhuma senão num canto com um livro."

Pascal Quignard, in "As sombras errantes" gótica, 2003
trad. Maria da Piedade Ferreira


hoje acordei assim…


«Os seios descaem-lhe um pouco e tem covas nos ombros. Tanto me faz, porque nunca me sirvo deles. O ombro da mulher é para os dançarinos e os seios são para os filhos.»

Jules Renard, in "O pendura" assírio & alvim, 2009
trad. Aníbal Fernandes
pint. Félix Vallotton [ the lie ] 1898

leitura recomendada...


Em meados dos anos cinquenta, um grupo de jovens intelectuais americanos criou uma revista chamada The paris Review. Os seus autores dificilmente terão tido a percepção de que estavam a fazer nascer uma abordagem nova à literatura e à arte da escrita e de que, por outro lado, se constituiria a partir dali o mais extraordinário arquivo do fascínio que uma entrevista literária pode alcançar.
Entre a entrevista a E.M. Foster, a primeira deste volume, e a entrevista a Jack Kerouac, a última, decorrem quinze anos. O tempo que corresponde a uma mudança social drástica que a literatura soube espelhar. E que estas peças também revelam por inteiro: do aprumo formal de Foster à conversa com anfetaminas em casa de Kerouac.
Sem a Paris Review, teríamos as mesmas obras de Faulkner, Hemingway ou Borges – para citar apenas três dos dez autores que estão neste livro – mas não teríamos a mesma imagem que temos hoje de alguns dos escritores decisivos para a arte literária no século xx.

E.M. Foster, Graham Greene, William Faulkner, Trumam Capote, Ernest Hemingway, Lawrence Durrell, Boris Pasternak, Saul Bellow, Jorge Luis Borges, Jack Kerouac.

«Se eu não tivesse existido, alguém me teria escrito, a mim, a Hemingway, a Dostoiévski, a todos nós.»
William Faulkner

[ Entrevistas da Paris Review ] tinta da china, 2009
selecção e tradução de Carlos Vaz Marques

LOUVORES A DEUS

É louco o homem que neste mundo
Se cansa e cessa de louvar a Deus.
As aves o não fazem e alma não têm.
Só as anima o sopro do vento.


Anónimo (séc XI), in "Rosa do Mundo" assírio & alvim, 2001
trad. José Domingos Morais
ilust. Christian Northeast

brevemente...



«Quando olhou para o espelho, os olhos, do outro lado, disseram-lhe coisas estranhas. Por exemplo: pode-se vomitar tudo menos o medo e a solidão.»

Dennis McShade [ Blackpot ] assírio & alvim, 2009


«As epidemias só desaparecem quando os micróbios se enjoam das suas toxinas.»

Louis-Ferdinand Céline

nova edição...


«No segundo decénio do nosso século, Franz Kafka criou uma forma notável do género fantástico em cujas páginas inesquecíveis o inacreditável assenta mais no comportamento das personagens do que nos factos. Assim, em O Processo (Der Prozess) o protagonista vê-se julgado e executado por um tribunal destituído de qualquer autoridade, cujo rigor aceita sem o mínimo protesto. Melville, mais de meio século antes, cria o estranho caso de O Escrivão Bartleby, que não só age de forma contrária a toda a lógica, como constrange os outros a tornarem-se seus desalentados cúmplices.»

Jorge Luis Borges

Herman Melville "Bartleby, o Escrivão" presença, 2009
trad. Maria João da Rocha Afonso

escutar...


Broadcast [ Mother is the Milky Way ] warp, 2009