EM VIRTUDE DO AMOR

Libertei o quarto onde durmo, onde sonho
Libertei o campo e a cidade onde passo,
Onde sonho acordado, onde o sol se levanta,
Onde, nos meus olhos ausentes, a luz se acumula.

Mundo de pequena felicidade, sem superfície e sem fundo,
De encantos esquecidos logo que descobertos,
O nascimento e a morte misturam o seu contágio
Nas dobras da terra e do céu misturadas.

Não separei nada mas reforcei o coração.
De amar, tudo criei: real, imaginário,
Dei a sua razão a sua forma o seu calor
E o seu papel imortal àquela que me ilumina.


Paul Éluard, in "poemas de amor e de liberdade" campo das letras, 2000
trad. Egito Gonçalves
ilustr. Christian Northeast

3 comentários:

Patrícia Coelho disse...

Amar sem medidas, não sou capaz. Mas é comovente acreditar que isso seja possível.

sophiarui disse...

...

:)

miguel. disse...

Éluard viveu assim, amou sem medidas, mas perdeu todas as suas amantes...