BRASILEIRA

O vento não varria as folhas
O vento não varria os frutos
O vento não varrias as flores...

E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores de folhas...

O vento não varria as luzes
O vento não varria as músicas
O vento não varria os aromas

E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos...

O vento não varria os sonhos
E não varria as amizades...
O vento não varrias as mulheres...

E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia
De afectos e de mulheres...

O vento não varria os meses
E não varria os teus sorrisos...
O vento não varria tudo!

E a minha vida não ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.


Mário Cesariny, in "nobilíssima visão" assírio & alvim (1991)

fotografia de Fernando Lemos

4 comentários:

Carreira disse...

Criei um blogue de opinião que agora estou a divulgar.
Se tiver interesse, não deixe de fazer uma visita: http://www.cegueiralusa.blogspot.com/
Caso goste, por favor divulgue, pois pretende ser mais um espaço de discussão em busca de uma cidadania mais activa.
O meu muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
José Carreira

Lilia disse...

Como queria que o vento levasse tudo de mim..
não queria sentir nada ..
Oh!Vento
leva tudo de mim..

Azófar disse...

Gostei do poema. E gostei imenso do blogue: hei-de cá voltar. Salud

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

devia haver mais Cesarinys neste país... fazem falta.