ESTIMADOS COMPATRIOTAS :

ACERCA do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais desvairadas lendas. Há até quem pretenda que o filho-da-puta a bem dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de dizer. Nada, porém, mais falso. É certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus e de tantas estátuas suas, bem como de tantos nomes seus dados a ruas, praças e escolas, para dissipar de vez as dúvidas acerca da sua existência real? E se isso não bastasse, não chegariam para acreditar nele os seus cartões de visa, que são os seus cartões de visita, e a suas inumeráveis credenciais, honras, bolsas de estudo e estudos de bolsa? Pois quem teria imaginação suficiente para inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta caso ele não existisse? Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família. o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, ele, o filho-da-puta, existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta.

Alberto Pimenta, in "discurso sobre o filho-da-puta" teorema (2000)

1 comentário:

aitb disse...

lol

genial!

:)