fotograma do filme [metropolis] Fritz Lang, 1927


Os porta-vozes do campo de trabalho social, desde a senhora neoliberal que come caviar e é maníaca pela eficiência, até ao sindicalista tipo barriga-de-cerveja, quando invocam o carácter pseudo-natural do trabalho, entram em crise de carência argumentativa. Ou, como quererão eles explicar-nos que hoje em dia três quartos da humanidade se estejam a afundar na necessidade e na miséria, só porque o sistema da sociedade do trabalho já não pode utilizar os seus préstimos?
Já não é a maldição do Antigo Testamento — «comerás o teu pão com o suor do teu rosto» — que pesa sobre os excluídos, mas uma nova e implacável condenação: «tu não comerás, porque o teu suor é supérfluo e invendável». E será isto uma lei natural? Não é senão um principio social irracional, que surge como coerção natural apenas porque, ao longo dos séculos, destruiu ou submeteu a si todas as outras formas de relação social, impondo-se de modo absoluto. É a «lei natural» de uma sociedade que se considera profundamente «racional», mas que, na verdade apenas segue a racionalidade finalista do seu ídolo, o trabalho, dispondo-se mesmo a sacrificar-lhe, a ele e à respectiva «objectividade coerciva», os últimos resquícios da sua humanidade.


Grupo Krisis, in "manifesto contra o trabalho" antígona (2003)

1 comentário:

menina limão disse...

já te disse como adoro coincidências?

é que ainda ontem estive com o dvd do Metropolis na mão porque vou fazer um cartaz com uma imagem do filme. e hoje venho aqui e vejo este fotograma. :)