VíRGULA

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que não te fale
feito de resistências e ameaças — Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que já não acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
— constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos Oásis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensidão da desordem
a que terão de ser constantemente arrancadas
— são da máxima importância as Velhas Concepções
pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar rápido sobre a cidade desconhecida. Mais
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como frágil véu que nos separa vedados e proibidos.


António Maria Lisboa, in "poesia" assírio & alvim (1995)

2 comentários:

cosal disse...

Pois claro....António Maria Lisboa no seu melhor...se é que foi alguma vez menor.A merda da RTP faz programas nanaloides para assinalar os anos dos Pacos Bandeiras,do Sinatra de Moscavide,esse tal Marco Paulo e de outros tristes nacionais.Nunca vi nada feito sobre o Lisboa.Fizeram agora uns "flácidos" ao Cesariny porque o senhor deixou de morar na mesma casa.
Enfim.....

Miguel. disse...

enfim... é mais fácil dar a conhecer ao povo aqueles que menos têm a dizer... uma Carolina vende-se que nem gingas, um António Maria Lisboa... fica esquecido nos armazéns de uma editora... a dita dura dura e dura.