PORNOGRAFIA E OBSCENIDADE

Depende completamente da pessoa, como é hábito. O que é pornografia para esta , faz-se riso do génio para outra.
Ao que se diz, a própria palavra significa «pertencente às prostitutas» — sinal de prostituição. Mas hoje em dia o que é a prostituta? A mulher que pede dinheiro ao homem para ir para a cama com ele, embora muita esposa se tenha vendido, em tempos, que já lá vão, e muita prostituta oferecido grátis se para aí lhe deu. Mulher que não guarde um toque de prostituta, regra geral não passa de vulgaridade insonsa. Porque fazer, então, juízos severos? Coisa enfadonha é a lei, de julgamento alheio à vida.
O mesmo se dá com a palavra «obsceno», que ninguém sabe o que significa. Suponhamos que vem de obscena, o que não pode representar-se em palco. E depois? Tiramos daí alguma coisa? Nada! O que é obsceno para Tom, não é obsceno para Lucy nem para Joe, e o sentido da palavra vai depender daquilo que a seu respeito decidir a maioria. (...).
O homem é um animal variável e as palavras variam de sentido com ele; as coisas não são o que pareciam ser, o que é deixa de sê-lo e, se julgarmos saber onde estamos, é devido à velocidade com que nos levam para outro lado. Somos obrigados a entregar tudo à maioria, entregá-lo às massas, às massas, às massas. Que sabem, estão fartinhas de saber, o que é e não é obsceno. Se um povinho de dez milhões não souber mais do que dez pessoas da alta, qualquer coisa andará mal nas matemáticas. Façamo-las votar! Mão levantadas, e toca a fazer a prova pela contagem! Vox Populi, Vox Dei, Profanum vulgum! Profanum vulgum.
Portanto, a conclusão é esta; se nos dirigirmos às massas, o significado das palavras é o significado-massa decidido pela maioria.

D. H. Lawrence, in " pornografia e obscenidade" & etc (1984)

2 comentários:

cosal disse...

Caro Miguel,
Trata-se de um livro curioso,de um autor que odeio.Porquê? Este senhor Lawrence que viveu num mundo solitário, povoado de fantasmas tão ferozes quanto ele, foi um dos filosofos do fascismo...Lawrence, nazi puro,foi um dos expoentes desse culto da insanidade.Odiava o seu semelhante e as batalhas excessivas que travou,por exemplo contra o sexo,derivavam do facto de ter que aceitar que na relação,afinal,não era ele o único humano em cena.
Um filho da puta...inteligente.

Cumprimentos

Miguel. disse...

é a p... da sabedoria ao serviço da insanidade...