DO VINHO E DO HAXIXE


CHARLES-Pierre BAUDELAIRE (1821/1867) é considerado um dos maiores poetas do século XIX. Herdeiro do romantismo e extremamente influenciado pela obra do escritor norte-americano Edgar Allan Poe, Baudelaire foi percursor do simbolismo e lançou as bases da poesia moderna (Rimbaud, Mallarmé, Verlaine, entre outros), revelando uma nova sensibilidade poética, baseada na experiência da vida urbana, e explorando temas como a melancolia, o tédio, a volúpia, a luxúria, o satanismo. Da sua bibliografia poética, destaca-se "As flores do Mal" (1857), obra que causou enorme escândalo, o livro despertou hostilidades na imprensa e foi julgado por muitos como um subproduto degenerado do romantismo, sobretudo pelo erotismo de alguns poemas. Além de condená-lo a uma multa por ultraje à moral e aos bons costumes, a justiça obrigou-o a retirar do volume seis poemas. Só a partir de 1911 apareceram edições completas da obra.
Tornou-se ainda conhecido como crítico de arte e literatura, e como tradutor dos contos de Edgar Allan Poe.
Baudelaire foi um dos primeiros escritores do século XIX a dissertar sobre sobre as drogas - a que desde muito cedo recorreu para estimular a inspiração- e os seus efeitos, tendo escrito diversos ensaios sobre o tema. Dos quais se destaca "Os Paraísos Artificiais" (1860), obra que reúne vários ensaios, e da qual faz parte este pequeno ensaio recentemente reeditado pelas edições Quasi.

"Do Vinho e Do Haxixe comparados como multiplicação da individualidade" tradução e notas de Helder Moura Pereira.

3 comentários:

cosal disse...

Caro Miguel...
Ora temos aqui um dos meus preferidos...Baudelaire.Muito haveria a dizer sobre o "escritor maldito",autor desse fabuloso "As Flores do Mal".Deixo, e por falar em vinho...duas notas...

O Vinho da Vertigem

....Está na hora de se embriagarem!
Para que não se tornem escravos martirizados do Tempo,embriagai-vos;Embriagai-vos incessantemente!De vinho,de poesia ou de virtude,à vossa escolha!....

Baudelaire
Le spleen de Paris

Agora a outra

Se ao céu e à terra fosse indiferente
Não haveria no céu a estrela do vinho
nem o vinho brotaria de uma nascente
Amá-lo é pois digno dos Deuses


Incomparáveis as virtudes do vinho
Puro ou terno como os homens e o seu coração
Com três copos conquistamos a felicidade
Mais três copos:temos o universo na mão

Li Bai
China
Sec.VIII D.C.
in:O Vinho e as Rosas
Assírio e Alvim
1995


Cumprimentos

Miguel. disse...

muito bonito este segundo poema, o vinho e todo o seu poder de magia...
quanto ao primeiro, esse sim é um belissimo poema,para além de vir no "spleen de Paris", também está incluido no " os paraísos artificiais" ...

;)

F P disse...

Eu já li há alguns anos os "Paraísos", (Guimarães ED.) e posso dizer que já não me recordo quase nada do livro. Tudo porque apliquei integralmente a receita à minha pessoa enquanto o lia. Foram dias de evasão do mundo com algum spleen à mistura. Abraço