Kurt Vonnegut...


O doutor Felix Hoenikker, um dos «pais» da bomba atómica, deixou à humanidade um legado fatídico. Foi ele o inventor do gelo-nove, um químico letal capaz de congelar o mundo inteiro. As investigações de John, o escritor que está a preparar uma biografia de Felix, conduzem-no aos três excêntricos filhos do cientista, a uma ilha nas Caraíbas onde se pratica a religião bokononista e, mais tarde, ao amor e à loucura. Narrado com um humor desarmante e uma ironia amarga, este livro de culto acerca da destruição global é uma sátira hilariante e assustadora sobre o fim do mundo e a loucura dos homens.

Kurt Vonnegut "cama de gato" bertrand, 2012

brevemente...

O presente volume reúne toda a poesia de Daniel Faria e dá a conhecer ao público, pela primeira vez, treze poemas inéditos. A edição é de Vera Vouga, professora do poeta que acompanhou os seus primeiros passos literários.

Daniel Faria "Poesia" assírio & alvim, 2012

leitura recomendada...


A obra foi escrita para satisfazer uma encomenda do livreiro René Hilsum para que Paul Valéry escrevesse 24 poemas em prosa cuja inicial fosse cada uma das letras do alfabeto, retirando desse "alfabeto" o K e o W por serem raras as palavras francesas com essas iniciais. Valéry aproveitou a ausência das duas letras para encaixar os seus textos nas 24 horas do dia, fazendo-as "corresponder a um estado e uma ocupação ou uma disposição da alma diferente".

Paul Valéry "alfabeto" iuc, 2012
trad. Cristina Robalo Cordeiro

em Junho na quetzal...


«É possível, num poema ou num conto, escrever sobre coisas e objetos quotidianos usando linguagem quotidiana mas precisa, e dotar essas coisas – uma cadeira, uma cortina, um garfo, uma pedra, os brincos de uma mulher – de um poder imenso, quase espantoso. É possível escrever uma linha de diálogo aparentemente inócuo e fazer com que essa linha provoque um arrepio na espinha do leitor – a fonte de deleite artístico, como queria Nabokov. É esse género de escrita que me interessa. Detesto escrita confusa ou aleatória, seja ela experimentação ou simplesmente realismo desastrado. No maravilhoso conto “Guy de Maupassant”, de Isaac Babel, o narrador tem o seguinte a dizer sobre a escrita de ficção: Nenhum ferro pode trespassar o coração com tanta força como um ponto final no lugar certo.”»

Raymond Carver "Fogos" quetzal, 2012
trad. João Tordo e João Luís Barreto Guimarães

SEGUNDO POEMA

Novamente manhã, nada que fazer, talvez comprar um piano ou fazer disparates.
Pelo menos limpar o quarto, para assegurar que como o meu pai sacudi a cinza & beatas ao pé da cama no chão.
Mas primeiro limpar os óculos e beber a água para lavar a boca mal-cheirosa.
Uma pancada na porta, entra uma gata, atrás dela o elefante bebé do Zoo exigindo panquecas ─ não suporto mais estas alucinações.
Tempo para outro cigarro e depois deixo subir as cortinas, reparo então que o lixo faz um carreiro até ao caixote.
Não frigorífico por isso uma toranja seca.
Haverá alguma coisa simples que eu possa fazer pelo meu quarto, talvez pintá-lo cor-de-rosa ou instalar um elevador do chão para a cama ou talvez tomar um banho na cama?
De que serve viver se não posso fazer paraíso no meu próprio quarto-país?
Porque esta gota de tempo nos meus olhos
como o sofrimento de uma estrela vermelha num cigarro
faz-me sentir que a vida trespassa mais depressa do que tesouras.
Sei que se pudesse fazer a barba as pulgas à volta do meu rosto desapareceriam para sempre.
Os buracos nos meus sapatos são só temporários, eu sei.
O meu tapete está sujo, mas de quem é que não está?
Há sempre um momento na vida em que toda a gente tem que fazer uma mija no lavadouro ─ aqui deixem-me pintar a janela de preto por um minuto.
Atirei um prato & parti-o por maldade ─ ou talvez só inocentemente o deixasse cair por acidente quando andava à volta da mesa.
Diante do espelho pareço um fantasma do Saara,
ou na cama pareço uma múmia chorosa oláando por ar,
ou à mesa sinto-me como Napoleão.
Mas agora a principal tarefa do dia ─ lavar a minha roupa interior ─ abusada dois meses ─ que diriam disto as formigas?
Como posso eu lavar a minha roupa ─ porque eu, eu, eu seria uma mulher se o fizesse.
Não, antes engraxar as sandálias e quanto ao chão é mais criativo pintá-lo do que limpá-lo.
Quanto aos pratos pode ser pois estou a pensar em arranjar um emprego num restaurante.
A minha vida e o meu quarto são como duas pulgas enormes perseguindo-me à volta do globo.
Graças a deus tenho uma maneira inocente de olhar para a natureza.
Nasci para recordar uma canção sobre o amor ─ numa colina uma borboleta faz uma taça donde eu bebo, caminhando sobre uma ponte de flores.

Peter Orlovsky, in "antologia da novíssima poesia norte americana" futura, 1973
trad. Manuel de Seabra

Estão reunidos neste volume alguns contos de Fernando Pessoa, uma parte apenas da vasta prosa ficcional que o autor nos deixou. Contos filosóficos, ou intelectuais como Pessoa chegou a chamar-lhes, contos paradoxais quando as situações que apresentam contrariam o senso comum, contos em jeito de fábula, com uma moralidade final e ainda outros. Todos eles parte integrante do universo pessoano. Há diálogos filosóficos com enigmáticos mestres que assumem diferentes rostos de conto para conto - o mendigo, o eremita, o bêbado - transmitindo as suas máximas a quem os encontra no caminho. Um caminho iniciático até uma diferente dimensão, percorrido pelo peregrino do conto com o mesmo nome, que segue a estrada até ao fim impelido pelas palavras de um homem de preto. Outro tipo de diálogo é aquele que se desenvolve entre o marinheiro e quem o encontra, de madrugada, no Cais das Colunas, local de onde se avista uma outra margem. Estas narrativas, até aqui inéditas ou pouco conhecidas, irão surpreender os leitores de Fernando Pessoa. Dos doze contos que compõem a presente edição, cinco são inéditos. Os restantes, apesar de já publicados em França pela editora La Différence e em Portugal pela revista Mealibra, permaneciam por divulgar junto do grande público.

Fernando Pessoa "O mendigo e outros contos" assírio & alvim, 2012

em Junho na quetzal...


O tema deste poema em prosa é o fascínio e o temor pela Natureza, e o que a torna incompatível com a sociedade. Nele relata o percurso – a vida, o amor e a morte - de três homens separados no tempo por séculos, cada qual tendo vivido, à sua maneira, o doloroso conflito que se trava entre o Homem e o mundo natural: O pintor Matthaeus Grünewald de Aschaffenburg; o explorador Georg Wilhelm Steller; e o próprio autor. Neste que é o primeiro livro de W. G. Sebald e que se manteve inédito em Portugal até ao momento, encontramos uma poesia atmosférica sobre uma melancólica melodia de fundo – uma verdadeira obra prima da linguagem.

W. G. Sebald "Do Natural - Um Poema Elementar" quetzal, 2012



Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante – um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. A Arte da Viagem mostra toda a bagagem - espiritual ou física - que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.

Paul Theroux "A arte da Viagem" quetzal, 2012