ir à Índia e voltar...


«O escritor de viagens com um bloqueio criativo; o pedido de ajuda que chega por carta; o jovem indiano que acorda no hotel com um cadáver ao lado; a remetente da carta, a enigmática viúva rica Senhora Unger; Calcutá, na sua atmosfera pungente, saturada de humidade e cheia de labirintos decadentes. E uma mão morta. O mais recente romance de Paul Theroux apresenta uma plêiade de personagens ricamente desenhadas, num caso de difícil resolução. É um fresco da Índia moderna, um "thriller", um devaneio erótico e uma reflexão sobre a idade e a perda da energia criativa.»

Paul Theroux "Mão Morta - Um crime em Calcutá" quetzal, 2011

NÃO HÁ PALAVRAS

Tocas um corpo, sentes-lhe o repetido tremor
sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.
Observas-lhe o lânguido amolecimento,
as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.
Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo
enche agora as tuas mãos, empurra o seu destino.
Estira-se o tempo nos pulmões
silva como um chicote rente aos lábios.
As horas, o instante, detêm-se,
extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.
Antes foram os nomes e as datas,
a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.
Depois, aquilo a que chamas amor,
talvez se transforme em promessa arrancada,
muro erguido que pretende encerrar
aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.
Não importa, agora nada importa.
Trocas um corpo, nele te fundes,
apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.


Juan Luis Panero, in "Antes que chegue a noite" fenda, 2000
trad. António Cabrita e Teresa Noronha

brevemente...


Em Julho de 2003 Roberto Bolaño deu a sua última entrevista. Morreria nesse mesmo mês. A conversa que teve com Monica Maristain (precedida de outras com os jornalistas Héctor Soto e Matías Bravo, Carmen Boullosa e Eliseo Álvarez) revelam o homem por detrás da obra – uma das mais audaciosas dos nossos tempos –, o homem perto da morte. Nela fala-nos sobre os seus autores de eleição, os filhos, a poesia, os amigos, a literatura a literatura latino-americana, a liberdade, os inimigos, a consagração, o amor, o sexo, a vida em Blanes, a passagem do tempo, a doença, a morte, o Chile, o México, e o que gostaria de ter sido se não tivesse sido escritor.

AAVV "Roberto Bolaño: últimas entrevistas" quetzal, 2011

em março na quetzal...


«Um projecto que teve início em finais dos anos oitenta e que se prolongou até à morte do escritor. Numa carta de 1995, comenta: «Há anos que trabalho num romance que se intitula "Os Dissabores do Verdadeiro Polícia" e que é O MEU ROMANCE. O protagonista é um viúvo, cinquenta anos, professor universitário, filha de dezassete, que vai viver para Santa Teresa, cidade próxima da fronteira com os EUA. Oitocentas mil páginas, um enredo demencial (...).»
«Se no romance moderno se quebrou a barreira entre ficção e realidade, entre invenção e ensaio, a contribuição de Bolaño vai por outro caminho (...) - para nos aproximar de uma escrita visionária, onírica, delirante, fragmentada e poder-se-á até dizer que provisória. (...) O que importa é a participação activa do leitor, simultânea ao acto da escrita. Bolaño deixou isto bem claro a propósito do título: «O polícia é o leitor, que procura em vão ordenar este romance endemoninhado.» E no próprio corpo do livro insiste-se nesta concepção de um romance como uma vida.»

Roberto Bolaño "Os dissabores do verdadeiro polícia" quetzal, 2011



Este volume junta dezasseis ensaios e conferências escritos por Sontag nos últimos anos de vida, período em que as homenagens à sua obra se sucediam por todo o mundo. Em "AT THE SAME TIME" escreve sobre a liberdade da literatura, sobre a coragem e a resistência, e analisa destemidamente os dilemas da América do pós 11 de Setembro - da degradação da retórica política à horrível tortura dos prisioneiros de Abu Ghraib. No prefácio, David Rieff descreve a paixão que a impeliu toda a vida: «Interessava-se por tudo. Na verdade, se apenas tivesse uma palavra para a evocar, essa palavra seria avidez. Queria experimentar tudo, provar tudo, ir a toda a parte, fazer tudo (...) Penso que, para ela, a alegria de viver e a alegria de saber eram uma e a mesma coisa.» A inteligência incisiva de Susan Sontag, o brilho da sua expressividade, a profunda curiosidade pela arte e pela política e a sua responsabilidade de testemunhar enquanto autor, colocam-na entre os mais importantes pensadores e escritores do século XX.

Susan Sontag "Ao mesmo tempo" quetzal, 2011

leitura recomendada...

«Eric Lax é o autor da mais conhecida biografia de Woody Allen. Neste livro divulga as mais reveladoras e divertidas entrevistas feitas ao realizador de "Manhattan" e "Annie Hall". Ao longo de mais de três décadas, Woody Allen conversou regularmente com Eric Lax, permitindo-lhe um acesso sem precedentes aos seus locais de filmagens, pensamentos e observações. Em conversas entre 1971 e 2007, Allen discutiu sobre produção cinematográfica - os seus próprios filmes e o trabalho de realizadores que admira. Assim, este livro mostra a evolução de Woody Allen até aos dias de hoje (de escritor de comédia e comediante de "stand-up" a realizador famoso). Esta é, por isso, uma leitura essencial para quem se interessa por realização cinematográfica e para todos os que apreciam os seus filmes.»

Eric Lax "Conversas com Woody Allen" relógio d'água, 2011
trad. Carina Ribeiro