COISAS QUE NUNCA – 1

Há coisas que nunca
tivemos em crianças e perdem
o valor para sempre. Aquele sempre
dos primeiros dez anos, onde o tempo,
as pessoas, as coisas
parecem enormes e indestrutíveis.

Disfarçar-se de relâmpago
ou de outras coisas impossíveis, comer
todos os chocolates, ter uma bicicleta igual
à do estúpido do vizinho, fazer
as coisas que os adultos escondem
atrás da porta dos quartos, retribuir
a bofetada aos nossos
legítimos superiores, querer
morder com justa causa
tanta gente no mundo e
só poder no escuro
morder uma almofada.


Inês Lourenço, in “Coisas que nunca” & etc, 2010

6 comentários:

{anita} disse...

lindo.

Anónimo disse...

detesto ler esta gaja. nunca teve nada de poeta e, além do mais, anda a fazer-se a tachos de punho fechado, o que ainda lhe retira mais credibilidade.

Manuel Sousa Dias

Victor Oliveira Mateus disse...

Tenho muito pouco a ver com os pressupostos em que se baseia a escrita da Inês Lourenço; tenho muito pouco a ver com grande parte das suas tomadas de posição, sobretudo as de carácter político, mas - colocando-me no paradigma através do qual ela escreve - é, para mim, uma excelente poeta, e este livro - incrivelmente bem escrito- não enforma, na minha opinião, de quaisquer halos de carácter político, entendida esta no seu sentido pregoeiro-panfletário.

rumoresdenuvens disse...

Manuel Sousa Dias:
É legítimo desgostar disto ou daquilo, deste ou daquele. Emitir opiniões pessoais também é legítimo. O que me parece despropositado é não conhecer alguém e mesmo assim dizer/escrever um disparate qualquer baseado numa ideia que se tem e não na realidade.
Por feliz acaso, a Inês Lourenço não o tem como amigo e também não anda a fazer nada daquilo que inventou para dizer aqui.
De gaja não tem igualmente nada, muito menos quando um gajo qualquer chamado Manuel Sousa Dias resolve armar-se aos cucos e falar de quem não conhece como se de alguma inspiração divina se valesse para achar qualquer coisa a respeito de quem e o que nada sabe.
Quem é que está a 'fazer-se' afinal?

aquelabruxa disse...

sim, e beijar o miudo de quem gostamos.

Anónimo disse...

a terceira idade também usa o termo «gajo«