do «ÚLTIMO CADERNO»

Duas horas em breve!
De certeza que estás deitada;
Não tenho pressa.
Podia mandar-te um relâmpago como se fosse um telegrama.
Mas para quê acordar-te,
atormentar-te?

Como se diz:
o incidente está encerrado.
A barca do amor quebrou-se
de encontro ao quotidiano.
Estamos quites os dois.
Para quê desfolhar o inventário
dos males, das feridas recíprocas?

Duas horas em breve!
De certeza que estás deitada;
a Via Láctea corre
como se fosse um rio de prata.

Vê que silêncio no mundo:
a noite impõe ao céu
a servidão de tantas tantas estrelas.


Vladimir Maiakovski, in "Qual é a minha ou a tua língua?" assírio & alvim, 2008
org. Jorge Sousa Braga

1 comentário:

o homem que espera disse...

Com a devida licença, vou sair à rua em busca desta bica. Obrigado