[ Estéticas do Cinema ] dom quixote, 1985


O cinema inaugura uma poética da modernidade, ao constituir-se não apenas como um novo processo técnico de produção artística, mas como uma nova era na contemplação e na compreensão do fenómeno estético.
Podemos acreditar que o filme, mais ainda do que a fotografia, se constitua nessa fabulosa memória involuntária do presente, a ponto de tornar eterno tudo o que é transitório e que alguma vez foi registado pela objectiva de uma câmara.
As primeiras vistas cinematográficas assemelham-se bastante às deambulações do olhar do passeante ocioso e curioso, sempre disponível, pelas ruas da cidade. E Walter Benjamim nota a condição paradoxal do espectador das salas escuras, que é, fundamentalmente, a do examinador que se distrai. É que o filme não é só a travessia dos desertos povoados que nos deslumbram no continente do visível, mas também o enigma que interroga a descoberta do inconsciente visual que seria, a bem dizer, literalmente invisível sem a existência do cinema.
A presente antologia de textos sobre as diversas estéticas, que marcam com a sua influência aquela que pode, provavelmente, considerar-se a arte decisiva do nosso tempo, inclui trabalhos de Walter Benjamim, Bela Balazs, Sergei Eisenstein, Pier Paolo Pasolini, Brian Handerson, Daniel Dayan, Christian Metz e Jaques Aumont.

Eduardo Geada

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