A UMA CEREJEIRA EM FLOR

Acordar, ser na manhã de Abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz,
dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra,
a tecer o coração de uma cereja.


Eugénio de Andrade, in "As mãos e os frutos"

imagem de Yuko Shimizu

1 comentário:

cosal disse...

Caro Miguel,
Então não é que me apetece dizer...QUAL A DIFERENÇA?

Cumprimentos


PS. Há cerejas muito simpáticas...sabia?