Fui
hóspede nesta mansão
na encruzilhada
dos meus sentidos.

O verso apenas é,
transversal e findo,
o poleiro evocativo
da ave do meu canto.

Essa ave em que o outono
Se perfila
e, cada vez mais exígua
no rumo e nas vigílias
do seu bando,
de súbito, espirala
até sumir-se
num país imaginário.


Sebastião Alba, in "A noite dividida" assírio & alvim

imagem de Esao

3 comentários:

Anónimo disse...

Alba, esse grande senhor que ouvia antena 2 num rádio de pilhas, no pequeno casebre onde "vivia". E conhecia Rachmaninov...

cosal disse...

Tenho que dizer...ou melhor...escrever...isto.
Pateticamente deixei passar o Senhor Sebastião Alba,Imperdoável.Acontece.
No fim do ano comprei um dos seus livros.Não digo mais do que isto...é de ler...reler...e sobretudo...pensar.Obrigado.

miguel. disse...

Sebastião Alba foi e continua a ser um grande poeta, teve uma morte infeliz, morreu atropelado, o seu corpo ficou vários dias numa morge, por identificar, mesmo tendo os seus documentos no bolso, foi encontrado por uma das filhas uns dias depois do infeliz acidente, é um autor que merece uma leitura atenta, estão editados alguns dos seus escritos, para este ano está previsto ser editado ainda mais um livro deste autor, "Albas II"...