Felipe Alfau [ o café dos loucos ] puma editora, 1992

O titulo refere um Café dos Loucos em Toledo do qual, no primeiro capítulo, praticamente todas as personagens principais são apresentadas como habitués, bons para os maus escritores de ficção que, tal como o autor, ali entram para observá-los. Lá está o Dr. de los Rios, o Médico ao serviço da maioria dos farrapos humanos que se agarram àquelas mesas; Gaston Bejarano, um chulo conhecido pelo nome de El Cogote; Dom Laureano Baez, mendigo profissional, rico; a criada/filha dele, Lunarito, a Irmã Carmela que é a mesma coisa que Carmen, uma freira fugitiva; Garcia, poeta que se torna perito em impressões digitais; o Padre Inocencio, monge salesiano; Dom Benito, o prefeito da Policia; Felipe Alfau; Dom Gil Bejarano, comerciante de sucata e tio de de El Cogote; Dona Micaela Valverde, três vezes viúva e necrófila; o senhor Olónzaga, em tempos conhecido por Mandarin Negro, um gigante, antigo escravo de galeras, baptizado e educado por monges espanhóis na China, antigo domador de borboletas num circo, antigo ponteado nas Filipinas espanholas, gerindo actualmente uma estranha agência de dívidas difíceis e outra de compra e venda de roupa de mortos... O cruzamento entre estas personagens é magnifico e o final surpreendente.
O café dos Loucos é um livro obrigatório, obra percursora do realismo mágico dos Latino-Americanos, bem como a invenção de escritores mais tardios como Jorge Luis Borges ou Adolfo Bioy Casares, enfim, um livro injustamente esquecido no nosso mercado.

3 comentários:

magarça disse...

Desconhecia este livro e respectivo autor. A procurar na próxima visita ao alfarrabista.

Joaquim Cascais disse...

Tenho vindo a seguir, desde há pouco tempo é certo, mas com um prazer redobrado a cada novo post seu, este “O Café dos Loucos” e sempre pensei no nome do blog como sendo o gosto pelo livro do Alfau, no dia deste post tive a confirmação.
Estou consigo, trata-se de facto de um livro obrigatório e injustamente esquecido...quando o li em 1992, pela primeira vez, fiquei fascinado e à medida que o lia ia lembrando de imediato esses nomes que você menciona Borges e Bioy Casares e mesmo Thomas Pynchon, tanto mais que estes já eram conhecidos entre nós, e Alfau nada editado. Ainda bem que a Puma editora existiu, não só por este, mas por tantos outros que preencheram a sua colecção de Novas Ficções. (Henry Miller, Josephine Hart, Paul Micou, Easton Ellis, etc...)
Você vai permitir que eu transcreva para aqui, até para os leitores do blog que não conhecem o livro, o que significava o Café dos Loucos, em Toledo, tal como o narra Alfau: “Os maus escritores tinham o hábito de ir a esse café em busca de personagens e, uma vez por outra, eu juntava-me a eles. Nesse exacto local podiam encontrar-se muito boas pechinchas em segunda mão e também algum material novo, razoavelmente bom e barato. Como a moda tem muito a ver com o valor da mercado, podiam encontrar-se nesse local algumas personagens que no seu tempo, tinham sido gloriosos e haviam servido génios famosos, mas tinham ficado sem emprego durante algum tempo devido ao desvio das tendências literárias para outros ideais. Lembro-me de ver lá um tipo magro, pobre e andrajoso. Afirmava ter servido Cervantes.”
Do que vou vendo no seu blog creio que tem feito, não só, mas também, este trabalho de dar a conhecer personagens.
PARABÉNS pelo 1.º aniversário e obrigado pelo seu trabalho.

Miguel. disse...

Caro Joaquim Cacais, fico muito agradecido por este momento que aqui partilha, é sem dúvida um bom livro, gostei mesmo muito dele na altura em que o li, daí o nome do meu café, é realmente uma pena ainda não terem pegado nele para o reeditarem... a editora puma era muito boa, mesmo, os livros dessa editora eram todos impressos no reino unido, o que fez com que as edições, apesar de poucas e breves, durem muito tempo.

abraço

M.