Soneto de fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes

imagem de Shiori Matsumoto

3 comentários:

marta disse...

"infinto enquanto dure", claro ... a carga de um fim anunciado, que há-de chegar num qualquer tempo. a ideia resulta como mecanismo de compensação, para não pensar o futuro. Mas tem o peso antecipado da tristeza do fim...

Alcebíades José disse...

"Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi tão fraco assim
Assim tão desalmado"

É sem dúvida magnífico, pelo que aconselho vivamente o recente documentário, "Vinicius"

miguel. disse...

deixei passar nos cinemas. mas aguardo anciosamente a saida para o mercado do dvd... está na minha lista de filmes a ver.
e esta passagem que aqui deixou é muito boa, a que poema pertence??