«- Todos os que trabalham cospem nas mãos?
Naturalmente, respondeu Jacquemort. É para matar a preguiça.»
Boris Vian, in "O arranca corações" relógio d'água, 2011
trad. Luiza Neto Jorge

“Como é que é o herói Ferdydurke? Interiormente é apenas fermento, caos, imaturidade. Para se manifestar exteriormente, e sobretudo face aos outros homens, é que ele tem necessidade da forma (…) mas esta forma limita-o, viola-o, deforma-o”. O herói é Jozio, que acaba de fazer trinta anos e é raptado pelo seu ex-professor para voltar ao liceu. Condenado a sentar-se nas carteiras de uma sala de aulas, rodeado de adolescentes e de um mestre antigo-regime, a sanidade do protagonista passa a enfrentar uma permanente ameaça, forçado pelo absurdo das circunstâncias. A sua resposta face ŕs pressões deformantes da vida quotidiana, atreitas a fabricar inteligências, doutrinas, obras-de-arte, ciência, morais e responsabilidades de etiqueta social, é a chacota, a imaturidade, o disparate, o grotesco, a embirração, a inteligência trágica de tudo pôr em causa.”


«Tendo acabado de obter dispensa da Marinha, Benny Profane contenta-se com uma existência ociosa passada entre os amigos, onde a única ambição é a de ser perfeito na arte do engano, e onde a palavra «responsabilidade» é considerada obscena. Entre os seus amigos – chamados Whole Six Crew – está Slab, um artista que parece ser incapaz de pintar outra coisa que não seja queijo dinamarquês. Mas a vida de Profane muda dramaticamente quando ele se torna amigo de Stencil, um jovem ambicioso e activo com uma missão intrigante – a de descobrir a identidade de uma mulher chamada V., que conheceu o seu pai durante a guerra, mas que desapareceu repentina e misteriosamente.»








«Este é o primeiro livro de Patti Smith em prosa. É um livro de memórias - que começa no Verão em que Coltrane morreu, no Verão do amor livre e de todos os motins, no Verão em que conheceu a figura central deste livro, o lendário fotógrafo americano Robert Mapplethorpe. Mas é também o retrato de uma época - dos dias do Hotel Chelsea, da Nova Iorque do fim dos anos 1960 e início dos anos 1970 - e uma comovente história de juventude e amizade. Uma fábula em que encontramos poesia, "rock'n'roll", sexo e arte e que começa numa história de amor e acaba numa elegia.»
[ incómodo ] andré letria, 2011
[ destino ] andré letria, 2011
