
Trazias no peito a ferrugem líquida dos relógios. Arrancava-te as horas como pregos. Depois ficávamos deitados a observar os animais brancos.
Não sabíamos nada. Não tínhamos nada.
Apenas soprávamos a cana da loucura — e tremíamos.
Vasco Gato, in "A prisão e paixão de Egon Schiele" & etc, 2005
pint. Egon Schiele
reedição…

«Sempre acompanhado de um caderno onde se misturam desenhos e anotações, tenho viajado pela chamada "Etiópia histórica".
Escrevo e desenho para lembrar o que é desaparecer do meu mundo habitual e continuar ainda assim vivo, podendo ver, ouvir, cheirar e falar. Faço-o para criar um testemunho gráfico do que sinto como viagens de ida e volta a um mundo ao contrário. Quando viajei pela primeira vez para a Etiópia, em 1999, ressuscitei um prazer que me tinha negado durante anos, desde a traumática perda de um caderno de desenhos de Tavira: o de desenhar despreocupada mas obsessivamente quando viajo. Desde então, tenho uma consciência mais aguda do que implica fixar, em caderno, clichés memoriais: enquanto viajo, o desenho não passa de um subproduto irrelevante da minha actividade de desenhador e fixador de visões, mas quando regresso a casa o desenho torna-se um precioso catalisador da memória e do imaginário.»
Manuel João Ramos "Histórias Etíopes" tinta da china, 2010

«O domínio do fantástico na arte é muito amplo e sujeito nisso a uma variedade de efectivações. Digamos sumariamente que há o fantástico realista e o realismo fantástico ou mais expressivamente o realismo irrealizante. Entendemos assim que o primeiro é uma variedade de realismo vulgar e que apenas escolhe para seu campo de operações a própria fantasia. Ele é assim, digamos, muito mais «fácil» ou pelo menos de menor originalidade. Mas há o outro, o que se se fixa no real, às vezes com um rigorismo quase «científico» como o de Kafka, em que não saímos do domínio do conhecimento mas que em dado momento oscila nos seus contornos e nos leva a darmo-nos conta de que já não estamos nos limites de relações conhecidas e estáveis. Julien Gracq sabe magistralmente estender sobre o real imediato uma neblina incerta, uma dominante de silêncio que faz sinais à outra realidade do real, um subtil transreal que nos atinge obliquamente de suspeita e mal-estar. E é aí precisamente que começa a grandeza da sua arte. Decerto o «tema» não se furta à nossa atenção. Mas o que transborda dele é que particularmente nos afecta e permanece na nossa emoção indizível e angustiante.»
Vergílio Ferreira
Julien Gracq "A Costa das Sirtes" vega, 1988
trad. Pedro Tamen
amanhã nas Livrarias…

«A Geração Beat era uma visão que o John Clellon Holmes e eu, e também o Allen Ginsberg, mas de uma maneira ainda mais louca, tivemos no final dos anos 40. Tratava-se de uma geração de tipos a par de tudo, brilhantes e loucos, que de repente se ergueram para percorrer a América. Eram sérios, curiosos, vagabundos e faziam paragens em todos os pontos do caminho, em farrapos, tranquilos, de uma hedionda beleza latente na sua graça e originalidade.»
Jack Kerouac
Yves Buin "Jack Kerouac" bertrand, 2010
trad. Ana Godinho
O Santo Graal da Loucura...

Quem tem a bengala de Artaud? Quando me perguntam por um símbolo supremo ou imagem de loucura, penso sempre nessa bengala a que o dono mandou pôr uma ponteira de ferro com que batia violentamente nos paralelepípedos de Paris para fazer saltar chispas. A bengala estava cheia de nós e tinha duzentos milhões de filamentos e entalhes de signos mágicos. E Artaud fazia saltar chispas porque dizia que a bengala tinha o signo mágico do raio no nono nó e que o número nove foi sempre o algarismo da destruição através do fogo. Artaud perdeu essa bengala (que lhe ofereceu René Thomas) na sua estranha viagem à Irlanda, perdeu-a depois de uma zaragata em frente do Jesuit College, de Dublin. Quem tem o Santo Graal da loucura? Quem é que ficou com a bengala de Artaud? Gostava de escrever um romance onde alguém viaja até Dublin para investigar o paradeiro da bengala de Artaud. Quem tem, meus senhores, essa bengala que é o eixo central da loucura no Ocidente?
Enrique Vila-Matas, in “Diário Volúvel” teorema, 2010
trad. Jorge Fallorca

[ un homme et une femme (Claude Lelouch) ] 1966
TALVEZ NÃO SEJA…
talvez não seja sempre assim; e digo eu
que se os teus lábios tão amados tocarem
os de outro, e os teus dedos firmes agarrarem
o seu coração, como não há muito tempo o meu;
se num outro rosto repousar o teu cabelo querido
naquele silêncio que conheço, ou no dizer
de palavras trémulas que por demasiado falarem
ficam indefesas perante o espírito constrangido;
se tiver que ser, eu digo se assim for
tu que és do meu coração, manda-me avisar;
para que eu possa ir até ele, pegar-lhe na mão,
e dizer, recebe de mim a felicidade do amor.
depois hei-de voltar o rosto, e ouvir um pássaro cantar
terrivelmente longe em terras de solidão.
E. E. Cummings, in "Qual é a minha ou a tua língua?" assírio & alvim, 2008
trad. Maria da Graça Braga

MEMÓRIAS DE UM LIVREIRO
«Quando trabalhei num alfarrabista — um lugar que aqueles que nunca lá trabalharam facilmente imaginam como uma espécie de paraíso onde respeitáveis cavalheiros de ar simpático folheiam eternamente in-fólios encadernados —, o que mais me impressionou foi a escassez dos verdadeiros amantes de livros. Apesar de a nossa livraria dispor de um lote de obras excepcionalmente interessante, duvido que sequer dez por cento dos nossos clientes soubesse distinguir os bons livros dos que não prestam. Snobes à cata de primeiras edições eram bem mais numerosos do que os apaixonados pela literatura, mas estudantes orientais a regatear o preço de compêndios baratos eram ainda mais numerosos, e mulheres desesperadas em busca de presentes de aniversário para os sobrinhos eram as mais numerosas de todos.
Muitos dos que cruzavam a nossa porta eram o género de indivíduos capazes de importunar tudo e todos em qualquer lugar, mas, numa livraria, dispunham de um campo de manobra especialmente vasto. Por exemplo, a encantadora velhinha que «quer um livro para um inválido» (um pedido bastante comum, diga-se), ou a outra encantadora velhinha que leu um livro delicioso em 1897 e deseja saber se lhe conseguimos arranjar um exemplar. Infelizmente, não se lembra do título nem do nome do autor, nem sequer do tema da obra, mas recorda-se, isso sim, de que tinha uma capa vermelha.(…)»
George Orwell, in "Livros & Cigarros" antígona, 2010
trad. Paulo Faria
brevemente...

«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance. É frequente pensar que se tivesse tido um pouco de sorte poderia ter nascido lobisomem, porque o anular e o dedo médio das minhas mãos têm o mesmo comprimento, mas tive de me contentar com aquilo que tenho. Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»
Shirley Jackson, in "Sempre vivemos no castelo" cavalo de ferro, 2010
trad. Maria João Freire de Andrade

A DIVISIBILIDADE:
A VISIBILIDADE A DOIS
A mulher divide-se em gestos peculiares
o homem divide-se também. Se o átomo é
divisível só o poeta diz.
A mulher divide-se em gestos
extremos coloridos arenosos destilados.
Dois homens são duas divisões de uma
casa que já foi um animal de costas
para o seu pólo mágico.
A divisibilidade da luz acelera os mistérios.
A mulher tem filhos. Descobrem-se
partículas soltas um dedo mínimo
o peso menos pesado da balança
um cabelo eloquente em desagregação.
Gestos estrídulos dividem a mulher
o homem divide-a ainda.
Luiza Neto Jorge, in "Poesia" assírio & alvim, 1993

A MAIS CURIOSA DAS CRIATURAS
Como o escorpião, meu irmão,
Tu és como o escorpião
Numa noite de medo.
Como o pardal, meu irmão,
Tu és como o pardal
No seu miúdo desassossego.
És como o mexilhão, meu irmão,
Tu és como o mexilhão
Fechado e tranquilo.
Tu és terrível, meu irmão,
Como a boca
De um extinto vulcão.
E tu, ai de mim, não és um,
Não és cinco,
Tu és milhões.
Tu és como a ovelha, meu irmão.
Quando o carrasco vestido da tua pele,
Quando ele levanta a sua vara
Apressas-te a alcançar o rebanho
E vais para o matadouro a correr,
Quase orgulhoso.
Em suma, és a mais curiosa das criaturas,
Mais curiosa que o peixe
Que vive no mar ignorando o mar.
E se há tanta miséria na terra
É graças a ti meu irmão.
Se somos famintos, esgotados,
Se somos esfolados até ao sangue,
Espremidos como uvas para o nosso vinho.
Iria até ao ponto de dizer que é culpa tua,
Mas não,
Isso nada tem a ver contigo meu irmão.
Nâzim Hikmet, in "Poemas da Prisão e do Exílio" & etc, 2000
trad. Rui Caeiro

AUTOFICÇÃO DA CIDADE AMOROSA
Construí-a
irreal
transparente
lúcida esguia um mar
inferior na barriga
correias de transmissão nos cabelos
Os anéis de saturno são a força centri-
fuga centrípeta que lhe agita os braços
no espasmo amoroso
Halley o metropolitano
75 milhões de anos-luz atravessam-na da cabeça à cauda
deito-me com ela todas as noites na via láctea
Pedro Oom, in "A Actuação escrita" & etc, 1979/80
ilust. Carlos Ferreiro

[ Éloge de l'amour (Jean-Luc Godard) ] 2001
PARSIFAL ESCREVE À SUA AMIGA
No meu íntimo sou ainda muito novo, escrevia Parsifal à sua amiga, e por isso descuro muitas coisas, leio todos os livros e dedico a minha atenção, de passagem, à generalidade das pessoas, sejam elas quem forem. Acontece comigo o que acontece com todas as outras pessoas: preferimos ocupar-nos com os outros do que com nós próprios, preocupamo-nos com eles, porque notamos os seus defeitos. Os meus são notados pelos outros mais do que por mim próprio e eu sou citado nas conversas deles tal como eles são tema das minhas conversas. Nunca me passou pela cabeça pensar mal de mim próprio. A convicção de que tenho algum valor nunca me abandona. Tu e outros como tu, no entanto, bem gostariam de me intimidar, mas como hei-de eu enganar-me a mim próprio só para vos agradar? Para isso teria de ser desonesto. Só de pensar nos teus encantos, comecei a dançar e caí ao chão; dei entrada no hospital e, em vez de te mandar dizer o que me sucedera, como seria devido, deixei-me embalar pela ilusão de que estava sempre junto a ti. Tu estavas sempre à minha beira e a olhar para mim. Talvez seja verdade que o amor é o próprio inimigo do amor. Foi unicamente por lealdade que fui desleal para contigo e agi de modo bem feio unicamente para poder desfrutar da beleza. Depois, quando caí em mim, já não tive coragem para ir ter contigo, andei a vaguear por aí, o meu espírito e a minha alma para sempre intimamente dependentes de ti e, portanto, tranquilos para sempre. Olha, amiga minha, a verdade é esta: não me aprouve ir ter contigo, porque tu me tinhas já feito demasiado feliz e poderias, talvez, tirar-me aquilo que já era meu. Para falar francamente, eu já tinha de ti o suficiente, ou seja, estava já tão possuído por ti que não carecia mais da tua presença. Além disso, sentia-me envergonhado, porque tinha pensado demasiado em ti. Algo me impele a travar conhecimento com uma outra mulher qualquer para a enganar de maneira sedutora, para lhe prestar todas as atenções, atenções a que só tu tens direito. Não é verdade que me roubaste toda a minha alegria, que me qualificaste de criança insegura? O amor faz de nós crianças; será que eu devo permitir que me inflijam tal empobrecimento? Foi por, na tua presença, me ter tornado assim um pobrezinho que já não pude dispor-me a voltar para ti e que usei de todas as minhas forças para reencontrar o caminho que conduz a mim mesmo. A pouco e pouco, fui deixando de saber chorar com saudades tuas. Esquecer-te, isso não poderei nunca, mas tão-pouco me posso forçar a descurar, por tua causa, aquilo que me rodeia. Com o passar do tempo, uma chama como esta tornar-se-ia monótona. Terei eu o direito de permitir a um único sentimento que faça o meu espírito mergulhar nas trevas, de lhe permitir que conceda à felicidade o poder de me tornar infeliz? Tenho o dever de velar por que as minhas faculdades se mantenham vivas. Por causa do amor que nutro por ti não vou descurar o dever que todo o homem tem de procurar honrar o seu semelhante, proporcionando-lhe a visão de algo a que ele possa dizer sim. À visão de alguém que se sente desgraçado pela derrocada de um sentimento afectivo o mundo diz não, e eu não sou homem para não me sentir magoado, se vir alguém tratar-me com comiseração. Amo-te e tu és minha e, porque és minha, não sinto necessidade de voltar a ver-te. Para quê pormo-nos em movimento para apanharmos aquilo que já nos pertence? Cumulaste-me de tudo à saciedade e para sempre, deste-me em demasia, deixaste que eu te tomasse demais para que eu agora necessite que me dês ainda qualquer coisa mais. Quem iria querer que lhe continuassem a verter líquido num recepiente que já está cheio até à borda? Numa palavra, acho-te demasiado bela para seres desejada e coloquei-te demasiado alto para que possas continuar a satisfazer-me. Não gosto de me dar com quem habita as alturas e não quero desempenhar um papel de que tu não poderias deixar de fazer mau uso. Alguma vez te considerei inteligente? De maneira nenhuma! Tão-pouco me aproveitei de ti e, se alguma vez te veio à mente sorrir da humildade da minha atitude, terás decerto ficado já também surpreendida comigo, o que eu estou quase disposto a permitir-te, porque, a par de todo o prazer que sinto em me dedicar aos outros, há sempre em mim o vivo desejo de que sintam consideração por mim. Este desejo será talvez demasiado evidente, mas, tendo sido dotado com ele, não posso deixar de o ter em linha de conta. E depois há qualquer coisa em mim que me faz sentir feliz, quando desdenho da felicidade. O meu desdém por ti, minha bela, leva-me a pôr as mãos em prece para pedir perdão a Deus mas, ainda que esteja morto de saudades tuas, não me agrada nada a ideia de me sentir dependente de ti. Não posso confiar em ninguém senão em mim próprio, porque só eu sei o caminho que devo trilhar e, portanto, tenho de ser fiel a mim próprio.
Robert Walser, in "A Rosa" relógio d'água, 2004
trad. Leopoldina Almeida

A RUA
É uma rua longa e silenciosa.
Ando às escuras e tropeço e caio
e levanto-me e piso com pés cegos
as pedras mudas e as folhas secas
e alguém atras de mim também as pisa:
se eu paro, pára;
se corro, corre. Volto-me: ninguém.
Tudo está escuro e sem saída,
e dou voltas e voltas em esquinas
voltadas sempre para a rua
onde ninguém me espera nem me segue,
onde sigo um homem que tropeça,
se levanta e ao ver-me diz: ninguém.
Octavio Paz
in, "correspondência literária 1, Inverno" contexto, 1984
trad. José Bento
ilust. Gérard Dubois


«Actualmente [a cultura] não tem nenhuma relação com a sociedade, e esta separação leva-nos a uma conclusão perigosa: que a cultura está estritamente ligada à lei, à produção, ao dinheiro, ao produto nacional, ao status de cada indivíduo dentro da sociedade»
«Necessito construir um mundo autenticamente diferente, onde a ideia de arte tenha uma função especial que esteja relacionada com o conjunto da sociedade.»
Joseph Beuys, in "Cada Homem um Artista" 7 nós, 2010
trad. Júlio do Carmo Gomes

CANTO NONO
Terá chovido durante cem dias e a água infiltrada
pelas raizes das ervas
chegou à biblioteca banhando as palavras santas
guardadas no convento.
Quando tornou o bom tempo,
Sajat-Novà o frade mais jovem
levou os livros todos por uma escada até ao telhado
e abriu-os ao sol para que o ar quente
enxugasse o papel molhado.
Um mês de boa estação passou
e o frade de joelhos no claustro
esperava dos livros um sinal de vida.
Uma manhã finalmente as páginas começaram
a ondular ligeiras no sopro do vento
parecia que tinha chegado um enxame aos telhados
e ele chorava porque os livros falavam.
Tonino Guerra, in "O Mel" assírio & alvim, 2003
trad. Mário Rui de Oliveira
na fotografia: Tarkovsky, Michelangelo Antonioni e Tonino Guerra

PREFÁCIO
«Excepcional e engenhoso monólogo, o livro de Brendan Behan é um solilóquio tão emotivo quanto humoristico sobre a cidade de Nova Iorque, que o autor considera (eu também) o lugar mais fascinante do mundo. Nada — diz Behan — pode comparar-se a essa cidade eléctrica, que é o centro do universo. O resto é silêncio, flagrante obscuridade.
«Depois de ter estado em Nova Iorque», diz Behan, «qualquer pessoa que regresse a casa dar-se-á conta de que o seu lugar de origem é bastante escuro.» A mim acontece-me sempre isto quando deixo Nova Iorque e regresso à minha cidade, e este livro de Behan é em parte culpado de isso me acontecer, porque o livro deixou em mim uma estranha saudade de bares onde nunca entrei.Ele escreveu-o em fim de vida no Hotel Chelsea, quando já estava muito alcoolizado, no princípio dos anos sessenta. Eram dias de twist e madison, mas também de uma incipiente revolução.Alguns anos antes, o galês Dylan Thomas tinha-se apresentado no Chelsea, na noite de 3 de Novembro de 1953, anunciando que tomara dezoito uísques seguidos e que considerava aquilo um recorde (morreu seis dias depois).Passados uns dez anos, como se aquele fosse sem tirar nem pôr o próprio «barco ébrio» do poema de Rimbaud, o irlandês Behan havia de apresentar-se também naquele hotel em condições tão alcoolizadas como as do galês, e seria auxiliado pelo dono do Chelsea, que lhe daria alojamento e que lhe permitiu escrever este livro nos corredores do hotel.Porque ele escreveu o livro fora do seu quarto, num corredor — depois de várias incursões pelo Chelsea consegui confirmá-lo — do mesmo andar em que vivera Dylan Thomas. E o livro foi ditado, não foi escrito, porque Behan já andava por esses dias espectacularmente bêbado.Vivia na memória doa bares que agora eu, sem nunca os ter frequentado, costumo recordar.»
Enrique Vila-Matas
Bredan Behan "Nova Iorque" tinta da china, 2010
trad. Rita Graña

NOTA BIOGRÁFICA
Brendan Behan (1923-1964) foi um destacado poeta, romancista e dramaturgo irlandês, que escreveu tanto em inglês como em irlandês.
A sua ligação de juventude ao IRA levou-o à prisão, experiência que relata no romance autobiográfico «Borstal Boy», de 1958.
Behan escreveu também, de forma crítica, sobre os seus antigos companheiros na peça de teatro «The Hostage», de 1957.
Além do reconhecimento como escritor, Behan tornou-se conhecido como personagem singular e heterodoxa, por vezes provocadora, fama essa em parte motivada pelo seu consumo imoderado de álcool, que seria a causa da sua morte prematura. Ele próprio se definia como «um alcoólico com problemas de escrita».
«Nova Iorque» é o primeiro livro do autor publicado em Portugal.
recomenda-se...

Depois de abandonar o emprego e o casamento por motivos que guardam uma infeliz coincidência, Júnior pede abrigo ao pai. Sem dinheiro nem perspectivas, divide os dias entre o velho sofá da sala, o bar onde bebe com desocupados e as conversas com a jovem inquilina da casa, Bruna, que o pai espia por um furo no armário. Num cenário típico de uma classe-média baixa, Júnior entrega-se a um quotidiano feito de objectivos pequenos e imediatos - a próxima refeição, a ida ao bar da esquina, o dinheiro do cigarro. Mas esta pasmaceira é interrompida quando pacotes misteriosos começam a chegar pelo correio. Lentamente, a realidade ganha contornos distorcidos e Júnior vai sendo arrastado para um mergulho na própria consciência - que revelará os seus limites e abismos.
Lourenço Mutarelli "A arte de produzir efeito sem causa" quetzal, 2010
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