
"em sua boca dardeja um narciso de cuspo
não encontrará na fala sossego algum
depois do susto das palavras murmuradas
o corpo incha e poro a poro uma abelha
refulge sobre a máscara de mel
poderíamos falar dele noite adiante
mas não
o começo da escrita seria a sua voz quebrada
no silêncio obssessivo das horas
mas não
porque são horas de profundo e anónimo
não o lembraremos mais
por trás da máscara recolhe-se por fim o olhar
uma vertigem o seu verdadeiro rosto
este coração em forma de quilha singrando o mar
de resto
já não há sinais visíveis da sua passagem
excepto a impressão digital esquecida
nos labirínticos arquivos de identificação
(...)"
Al Berto - A Noite
















































