Victor Vasarely [ Lang ] 1979As impensáveis portas da ilusão
O que é que leva o meu barcopara esta praia
onde um poder esquivo
se contenta
com a ambígua oferta de palavras?
Estamos aqui
no exíguo barco de desejos
exibidos
na frágil singularidade do verbo
Insatisfeitos sempre
aguardamos
que se abram
as inpensáveis portas da ilusão.
Ana Hatherly in. " O Pavão Negro " assírio & alvim
Quero...
Queronos teus quartos forrados de luar
onde nehum dos meus gestos faz barulho
voltar.
E sentar-me um instante
na beira da janela contar os astros
e olhando para dentro contemplar-te,
tu dormindo antes de jamais teres acordado
tu como um rio adormecido e doce
seguido a voz do vento e a voz do mar
subindo as escadas que sobem pelo ar.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919/2004)
Poema do gato
Quem há-de abrir a porta ao gatoquando eu morrer?
Sempre que pode
foge prá rua
cheira o passeio
e volta para trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quado abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.
Repito a festa,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas,
e rosna,
rosna, deliquescente,
abraça-me
e adoremece.
Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?
António Gedeão
Fotografia de Francisca Moreira
Arte Poética

Olhar o rio que é de tempo e água
e recordar que o tempo é outro rio,
saber que nos perdemos como o rio
e que os rostos passam como a água.
Sentir que a vigília é outro sono
que sonha não sonhar e que a morte
que teme a nossa carne é essa morte
de cada noite, que se chama sono.
Ver no dia ou até no ano um símbolo
quer dos dias do homem quer dos anos,
converter a perseguição dos anos
numa música, um rumor e um símbolo,
Ver só na morte o sono, no ocaso
um triste ouro, assim é a poesia
que é imortal e pobre. A poesia
volta como a aurora e o ocaso
Às vezes certas tardes uma cara
Olha-nos do mais fundo dum espelho;
a arte deve ser como esse espelho
que nos revela a nossa própria cara.
Contam que Ulisses, farto de prodígios
chorou de amor ao divisar Ítaca
verde e humilde. A arte é essa Ítaca
de verde eternidade e não prodígios
Também é como o rio interminável
que passa e fica e é cristal dum mesmo
Heraclito inconstante, que é o mesmo
e é outro, como o rio interminável.
Jorge Luis Borges (1899/1986)
A Esfinge
Ah, que não penso eu como quem pensaque viver muito é atordoar-se bem!
Pus-me a um cantinho, e achei a vida imensa.
Pode um só passo andar bem mais que cem...
Fitei o Sol de cara e a noite densa,
mas só a mim fixei - que a mais ninguém.
Já não concebo angústia que me vença,
que até vencido vencerei também.
Cruzei os braços sobre o peito. E quedo,
passeio sobre a areia a arder parada
nem sei que olhar subtil, vazio, mudo.
Abrem-me... em vão! Sou oco e sem segredo.
Falar?!... Porque falar, se não sei nada?
Comtemplo, calo, fico... e entendo tudo.
José Régio(1901/1969) in. "Cântico Negro" edições Quasi
Da cidade nervosa
Da dinâmica cidade nervosa de Barcelona chegam-nos as crónicas jornalísticas de Enrique Vila-Matas, mestre de um género que combina o paradoxo com a ironia, sempre imbuído de um sentido da cultura muito pessoal.O capítulo que compõe a primeira das quatro partes deste volume pode ser lido como um livro de relatos, pois cada uma das crónicas possui entidade de história. Na segunda parte encontramos um extenso texto inédito, "Mastroianni-sur-Mer", onde o autor, além de analisar as relações entre cinema e literatura, revela a surpreendente origem da sua vocação literária, estreitamente ligada à figura do actor italiano Marcelo Mastroianni. Na terceira, "Um tapete que se espalha em muitas direcções", Vila-Matas reflecte em torno das vicissitudes anteriores e posteriores à publicação de Bartleby e Companhia e da construção da original estrutura deste livro. Finalmente a quarta e última parte, "Escritos Shandys", recolhe alguns dos mais importantes artigos e ensaios literários publicados na imprensa nacional e estrangeira.
" escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida "
Enrique Vila-Matas " Da cidade nervosa " Campo das letras
A.

Sempre que penso em ti estás a dançar levemente num clima de canela despenteada, ó aroma vagaroso, desórdem aérea, mas a memória tem pressa, o sangue tem pressa interna, e antes de pensar tremo, e depois tremo, pelo meio desenvolve-es o pavor de uma beleza maiúscula, o coração corre entre iluminuras rápidas, é uma criança sucessiva nas pautas da musica, assim escrevo uma nação simultânia, desapareces na respiração do teu vestido, entretanto a revelação anuncia-se pelo medo, curvas-te como as aldeias devoradas pela lua, mais tarde sempre que penso em ti estás com um lenço escrito nas duas mãos, e a tua velocidade abranda junto aos espelhos, expandes-te assim lentamente gravada, és uma floresta de silêncios visíveis, sempre que penso penso sempre ao contrário do fim, estás cada vez mais no princípio de ti mesma, então vejo que nesse lugar é o meu começo eterno, quando danças é um corpo rodeando a brancura rodeada ou de novo qualquer coisa criminal entre o cuidado e o espaço, nas linhas puras da solidão arde a cabeça, arde o vento, atrás de ti as imagens assassinas da noite- estrelas: subversão da noite, sempre que penso em ti danço até à ressurreição do tempo.
Herberto Helder in. " Os animais carníveros "
" As cabras e o modo como se aproximam de um fio de erva podem preencher todo o cérebro de uma pessoa inteligente, mesmo que tal facto se passe às sete da tarde. A Natureza não abana com os nossos sustos, a não ser a parte da natureza que o nosso corpo representa. Uma cabra a pastar, uma vaca a pastar, uma ovelha a pastar. E ainda as ervas, e o leve vento que passa por elas. Muitas coisas acontecem na natureza. Com tanta erva e animal a pastar, para quê procurar diversão nas cidades? "Gonçalo M. Tavares
Manhã Fresca
Manhã fresca, reclinadapela primavera crescente.
O mais pequeno nada
está como se fora gente.
De um rapaz louro que finda
(na alameda) uma novela perturbada,
uma mulher ainda linda
esperou mas não foi olhada.
E na folhagem também
certo desencontro corre:
a primavera que vem
na trovoada que morre.
Mário Cesariny in. " Manual de prestidigitação " assírio & alvim
pintura de Mário Cesariny [ o marinheiro ]
O Pai
[1]

Havendo-me a experiência ensinado que tudo quanto na vida corrente sucede é com frequência vão e fútil, e tendo eu observado que nada do que directa e indirectamente me provoca temor era em si mesmo bom ou mau, a não ser enquanto afectava o espírito, decidi por fim inquirir se haveria algo que constituísse o verdadeiro bem, susceptível de se comunicar, e pelo qual exclusivamente, rejeitando tudo o mais, o ânimo fosse afectado; mais ainda, se haveria algo que, uma vez encontrado e adquirido, proporcionasse a fruição eterna da suprema e contínua alegria.
Espinosa (1632/1677)
A Mosca
Um comerciante grego chegou a uma aldeia abandonada, sem vivalma nem pinga de água. O sol parecia ter caído à terra. Morava ali um velho que se alimentava de melões e recolhia o orvalho em toldos negros, estendidos pela noite sobre a casa. Era um velho que tinha uma mosca no nariz. Uma mosca que, de vez em quando, saía ao sol e, depois, de novo, se enfiava na cavidade. Espantado, o comerciante seguia, com atenção, o que acontecia. Perguntou-lhe como conseguira demesticá-la. O velho respondeu que nada fizera. A mosca havia entrado no nariz no dia em que a sua mulher falecera. Pensara, portanto, que seria a sua mulher. Ao dirigir-se para o Land Rover, o comerciante reparou que a mosca lhe tinha entrado no nariz. E o velho, ameaçando-o com uma cimitarra, correu atrás dele a reclamar a sua mosca. Com violência, o comerciante assoou-se várias vezes até que a mosca foi projectada no lenço. Estava morta. Entregou-a ao velho que se fechou em casa e, sob a areia do galinheiro a sepultou.Tonino Guerra in. " Histórias para uma noite de calmaria " assírio & alvim
desenho de Tonino Guerra
O vento move-se
Assim se move o vento :como os pensamentos de um velho humano
que ainda pensa com fúria
e avidez.
Assim se move o vento :
como um humano sem ilusões
que ainda sente coisas irracionais dentro dela.
Assim se move o vento :
como humanos que orgulhosos se aproximam,
como humanos que em fúria se aproximam.
Assim se move o vento :
pesado e pesado, como um humano
que não se importa.
Wallace Stevens in. "Antologia " relógio d'água
Imagem de Octavia Monaco
Convite para uma decapitação

Na sociedade em que Cincinnatus C. vive existe um crime nefando, capital, a "torpeza gnóstica", passível da pena de morte. Em convite para uma decapitação, Cincinnatus C. é julgado em tribunal por "torpeza gnóstica" e condenado à morte e nós somos convidados a acompanhá-lo durante os dias (quantos? nunca os seus algozes lho comunicarão) que antecedem a sua execução na praça pública, à qual também assistimos. O crime de "torpeza gnóstica", crime obscuro e insondável entre todos os crimes, mas tipificado na lei naquela sociedade, é próprio das naturezas que não se conformam e não sabem com o que deveriam comformar-se, nem que são não conformes no seu comportamento. Resta-lhes a evasão pela imaginação, mas esta exige partilha, cúmplices, para existir. E este é o convite de Vladimir Nabokov: leitores procuram-se .
Vladimir Nabokov "Convite para uma decapitação" assírio & alvim
Tradução de Carlos Leite
Elogio da amada

Ei-la que vem, ubérrima, numerosa, escolhida,
secreta, cheia de pensamentos, isenta de cuidados.
Vem sentada na nova primavera,
cercada de sorrisos no regaço lírios,
olhos feitos de sombra de vento e de momentos
alheia a estes dias que eu nunca consigo
morder-lhe o tempo na face as raízes do riso
começa para além dela a ser longe.
A amada é bem a infância que vem ter comigo.
Há pássaros antigos nos límpidos caminhos
e mortes como antes nunca mais
Ei-la já que se estende ampla como uma pátria
no limiar da nossa indiferença.
Os nossos átrios são para os seus pés solitários
Já todos nós esquecemos a casa dos pais
ela enche de dias a nossa solidão.
A dor... é nela até que deus começa
eu bem lhe sinto o calcanhar do amor.
Que importa sermos de uma só manhã e não haver em volta
árvore mais açoitada pelos diversos ventos?
Que importa partirmos num desmoronar de poentes?
Mais triste mesmo a vida onde outros passarão
multiplicando-lhe a ausência que importa
se onde pomos os pés é primavera?
Ruy Belo (1933/1978) in. " todos os poemas - I " assírio & alvim
Imagem: Gustav Klimt [portrait of Mada Primavesi] 1913
Sensação
No azul das tardes de verão, irei pelos caminhostracejado pelos trigos, pisar a erva tenra:
sonhante, sentirei a meus pés sua frescura.
Deixarei o vento banhar-me a cabeça nua.
Não falarei - pensarei em nada:
mas um amor infinito subir-me-á na alma, e eu
irei longe, bem longe, como um cigano, feliz
pela natureza -, na companhia da mulher sonhada.
Março de 1870
Arthur Rimbaud in. "O rapaz raro, iluminações e poemas" relógio d'água
Imagem: desenho de Rimbaud feito por Paul Verlaine
RIMBAUD
As noites, as pontes de comboio, a má estrela;os seus temímeis companheiros não as conheciam;
mas nessa criança a mentira do retórico
queimava como uma fornalha: o frio fizera um poeta.
As bebidas que o seu amigo tíbio e lírico
lhe comprava, perturbavam-lhe os cinco sentidos,
terminando com todo o nonsense corriqueiro;
até se alhear dos pecados e da lira.
Os versos eram uma doença específica do ouvido:
a integridade era de menos; parecia
o inferno da infância: devia tentar de novo.
Agora, galopando pela África, ele sonhava
um novo eu, um filho, um engenheiro,
cuja verdade mentirosos aceitassem.
W. H. Auden (1907/1973) in. " O massacre dos inocentes, Uma antologia " assírio & alvim
Fotografia: Étienne Carjat, 1871
CACIDA DA MULHER DEITADA
Ver-te despida é recordar a terra.A terra lisa, limpa de cavalos.
A terra sem um junco, forma pura
ao futuro cerrada: confim de prata.
Ver-te despida é perceber a ânsia
da chuva a procurar um bébil talo,
ou a febre do mar de rosto imenso
sem encontrar a luz da sua face.
O sangue soará pelas alcovas,
chegará com espada fulgurante,
porém tu não saberás onde se esconde
o coração do sapo ou a violeta.
O teu ventre é uma luta de raízes,
os teus lábios, aurora sem contorno,
sob as cálidas rosas duma cama
os mortos gemem esperando turno.
Federico García Lorca in. " Antologia Poética " relógio d'água
imagem de Randal Gordy Lee
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vidapensava eu...como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do mar embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentissímos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração.
mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade.
Al Berto in. "Vigílias" assírio & alvim
imagem: Luís Noronha da Costa
Não tem nome nenhum esta figuraque ainda agora tracei no quadro escuro
nem há lugar na terra onde fique
bem esse objecto que ninguém conhece.
Na história humana não há sinal disto
nem nos sacros anais da neuropsique;
declaram-se venais os tribunais
e vãos, de não saber em que consiste.
Para irritar o mundo, chamo-lhe amor,
às vezes; mas não quero
confundi-lo com outro, por mais puro.
Pouco importa o que escrevo, que interdito.
Um verso valerá por uma letra
e seremos duendes para sempre.
António Franco Alexandre in. "Duende" assírio & alvim
Imagem: Jenny Bird Alcantara
Dino Buzzati

Considerado como um dos autores incontornáveis da literatura mundial, Dino Buzzati(1906/1972) nasceu em San Pellegrino, em Itália. Desde cedo conciliou a escrita com o seu trabalho de jornalista no prestigiado Corriere de la Sera, onde permaneceu até ao final da sua vida. Em 1939, altura em que a Itália inicia o seu envolvimento na guerra, é destacado como enviado especial na Etiópia e um ano depois publica " O Deserto dos Tártaros ", romance que será o inicio da sua fama internacional, alvo de sucessivas reedições, adaptado ao teatro por Albert Camus e posteriormente adaptado ao cinema [Valerio Zurlini - 1976]. Em 1942, publica o seu primeiro conjunto de contos " Os sete mensageiros ", " O segredo do bosque velho " foi o seu segundo livro, e talvez o livro que melhor evoca a perda da inocência e a brutalidade do real, foi igualmente adaptado ao cinema [Ermanno Olmi -1993]. Sempre no seu estilo inconfundível, que não abdece a modas e a etiquetas, explora uma visão fantástica e absurda do real. A par da escrita, dedicou-se também à pintura, à ilustração e à escrita para teatro.Estes três livros estão traduzidos para português, e encontram-se ambos disponiveis na Cavalo de Ferro.
O Beijo
À Margem
Tudo o que brilha na noite,colares, olhos, astros,
serpentinas de fogos de cores,
brilha em teus braços de rio que se curva,
em teu pescoço de dia que desperta.
A fogueira que acendem na floresta,
o farol de pescoço de girafa,
o olho, girassol da insónia,
cansaram-se de esperar e perscrutar.
Apaga-te,
para brilhar não há como os olhos que nos vêem:
contempla-te em mim que te contemplo.
Dorme,
veludo de bosque,
musgo onde reclino a cabeça.
A noite com ondas azuis vai apagando estas palavras,
escritas com mão volúvel na palma do sonho.
Octavio Paz (1914/1998) in. " Antologia Poética " P. Dom Quixote
imagem: Lorenzo Mattotti
"Coisa Ruim"2006, realizado por Tiago Guedes e Frederico Serra, a partir do argumento original de Rodrigo Guedes de Carvalho, com Adriano Luz ( A Costa dos Mermúrios ), Manuela Couto ( Amor e dedinhos de pé ), José Afonso Pimentel ( Adeus Pai ), entre outros, é uma nova referência para o cinema em Portugal, um filme a não perder.
Cega-me os olhos, e ver-te-ei
Tapa-me os ouvidos, e ouvir-te-ei
Sem pés, irei ainda ao teu encontro
Sem boca, esconjurar-te-ei mais uma vez.
Parte-me os braços, e envolver-te-ei
Com o meu coração como se fora uma mão
Arranca-me o coração e o meu cérebro palpitará
E se ateares fogo mesmo ao meu cérebro
Transportar-te-ei no meu sangue.
Rainer Maria Rilke
O Pranto da Escavadora

Amar, conhecer
é o que conta, não ter amado,
ou ter conhecido. Angustia
Viver de um amor passado.
A alma já não cresce.
Neste calor encantado
Da noite profunda, aqui,
entre os meandros do rio e as visões
adormecidas da cidade constelada de luzes,
Onde ecoam ainda mil vidas,
o desamor, o mistério, e a miséria
dos sentidos tornam-me hostis
As formas do mundo que, até ontem,
eram a minha razão de existir.
(...).
Pier Paolo Pasolini in. "Poemas" assirio & alvim
Definição.
DIOTA, n. Membro de uma tribo grande e poderosa, que tem exercido uma influência dominante e controladora sobre os assuntos humanos. A actividade do Idiota não se encontra confinada a uma área especial do pensamento ou da acção, mas "atravessa e regula o todo". Ele tem a última palavra em tudo; a sua decisão é inapelável. O idiota estabelece as modas da opinião e do gosto, prescreve as limitações ao que se pode dizer e circunscreve as regras de comportamento.
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