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Revista LER prepara o seu primeiro festival

Ler 25 Anos — 25 Filmes
Cinema São Jorge
4 a 9 de dezembro de 2012


O pretexto não podia ser melhor. Para celebrar os seus 25 anos, a revista LER prepara o seu primeiro festival: seis dias de cruzamentos entre cinema e literatura, numa parceria com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa.
De 4 a 9 de dezembro, as portas do Cinema São Jorge, em Lisboa, estarão abertas para a exibição de 25 filmes — seleção de Pedro Mexia —, debates, concertos, entrevistas, conferências, exposições, programas de rádio, contadores de histórias, entre outras propostas.
Mais detalhes sobre a programação do festival serão anunciados em Setembro.


que faria sem este mundo sem rosto sem perguntas
onde ser dura apenas um instante onde cada instante
verte para o vazio o esquecimento de ter sido
sem esta onda onde no final
corpo e sombra juntos se devoram
que faria sem este silêncio sorvedouro dos murmúrios
que anelam frenéticos por socorro por amor
sem este céu que se ergue
sobre a poeira do seu lastro

que faria o que fiz ontem o que fiz hoje
espreitar do meu postigo para ver se não estou só
a dar voltas e voltas longe de toda a vida
num espaço fantoche
sem voz no meio das vozes
encerradas comigo


Samuel Beckett

[in Relâmpago, revista de Poesia nº 13, Outubro de 2003]
trad. Manuel Portela

The Valleys by Electrelane on Grooveshark

Gerrit Komrij 1944-2012


A TERCEIRA PAISAGEM

Quando num tacho em varanda abrigada
Floria o aloendro, era uma festa.
Agora que tens ao sol do Sul morada,
De plátano e carvalho o sonho resta.

Com a ventura, assim, sempre a fugir,
Andar de cá para lá fez-se preciso,
Que as árvores todas poder reunir
Só num local chamado paraíso —

O sítio onde estarias deslocado.
Porque pousar um pé que fosse aí
Era o fim da cantiga mais certeiro.

Antes assim. Sem o carvalho em ti,
Escapava-te o milagre do pinheiro:
Ter numa agulha a folha por inteiro.

Gerrit Komrij, in "Contrabando — uma antologia poética" assírio & alvim, 2005
trad. Fernando Venâncio

brevemente...


Albert Londres (1884-1932) era o jornalista intrépido, o jornalista «literário», aquele que fizera a França embaraçar-se com a sua Guiana, o seu Biribi, os seus asilos psiquiátricos. Vinte anos depois, o jornal anarquista "Libertaire" soube defini-lo com esta evidência: «Na sua carreira não isenta de quixotismo procurar-se-ia em vão uma reverência ao dinheiro, uma deferência para com os que governam ou financiam, a docilidade perante as ordens e as recomendações, a aceitação dos factos consumados e dos poderes estabelecidos, a fuga perante as responsabilidades.»

Aníbal Fernandes

Albert Londres "Com os Loucos" sistema solar, 2012
trad. Aníbal Fernandes