Michel Houellebecq “o mapa e o território” alfaguara
Ryunosuke Akutagawa “rashomon e outras histórias” cavalo de ferro
Kjell Askildsen “uma vasta e deserta paisagem” ahab
José Agostinho Baptista “caminharei pelo vale da sombra” assírio & Alvim
Enrique Vila-Matas “perder teorias” teodolito
Atiq Rahimi “maldito seja Dostoiévski” teodolito
Dylan Thomas “poesia completa” relógio d’água
Jacques Rancière “o destino das imagens” orfeu negro
Ricardo Piglia “alvo nocturno” teorema
Eudora Welty “as maçãs douradas” antígona
a biblioteca de babel
nova edição dia 16 Setembro...
«Tendo acabado de obter dispensa da Marinha, Benny Profane contenta-se com uma existência ociosa passada entre os amigos, onde a única ambição é a de ser perfeito na arte do engano, e onde a palavra «responsabilidade» é considerada obscena. Entre os seus amigos – chamados Whole Six Crew – está Slab, um artista que parece ser incapaz de pintar outra coisa que não seja queijo dinamarquês. Mas a vida de Profane muda dramaticamente quando ele se torna amigo de Stencil, um jovem ambicioso e activo com uma missão intrigante – a de descobrir a identidade de uma mulher chamada V., que conheceu o seu pai durante a guerra, mas que desapareceu repentina e misteriosamente.»
Thomas Pynchon "V." bertrand, 2011

O AVÔ E O NETO
Ao ver o neto a brincar,
Diz o avô, entristecido:
«Ah, quem me dera voltar
A estar assim entretido!
«Quem me dera o tempo quando
Castelos assim fazia,
E que os deixava ficando
Às vezes p´ra o outro dia;
«E toda a tristeza minha
Era, ao acordar p´ra vê-lo,
Ver que a criada já tinha
Arrumado o meu castelo».
Mas o neto não o ouve
Porque está preocupado
Com um engano que houve
No portão para o soldado.
E, enquanto o avô cisma, e triste
Lembra a infância que lá vai,
Já mais uma casa existe
Ou mais um castelo cai;
E o neto, olhando afinal
E vendo o avô a chorar,
Diz, «Caiu, mas não faz mal:
Torna-se já a arranjar.»
Fernando Pessoa, in "ficções do interlúdio" bi, 2007

«Posso estar presente durante horas sem que ninguém repare em mim. E, de repente, torno-me o ponto focal do olhar de todos, as pessoas falam comigo, louvam-me, fazem-me realizar truques. Perdi o meu nome, o meu nome de família. Sou apenas o Jan. Um belo nome curto para um cão.»
Hjalmar Bergman , in "memórias de um morto" eucleia, 2011
trad. João Reis

Quando alguém parte, tem de deitar
ao mar o chapéu com as conchas
apanhadas ao longo do verão,
e ir-se com o cabelo ao vento,
tem de lançar ao mar
a mesa que pôs para o seu amor,
tem de deitar ao mar
o resto do vinho que ficou no copo,
tem de dar o seu pão aos peixes
e misturar no mar uma gota de sangue,
tem de espetar bem a faca nas ondas
e afundar o sapato
coração, âncora e cruz
e ir-se com o cabelo ao vento!
Depois, regressará.
Quando?
Não perguntes.
Ingeborg Bachmann
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