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«Como é que os livros chegaram à minha biblioteca? Por uma conjunção de acasos, de curiosidade sistemática e vontades súbitas durante conversas e leituras.
Para falar de descobertas que remontam a tempos distantes, o elemento desencadeador pode ter sido um título misterioso (
O Lobo das Estepes sem fazer ideia de quem era Hermann Hesse), uma capa (
Lolita em livro de bolso, versão de 1971, ignorando tudo sobre Nabokov, só porque nela aparecia o rosto de uma jovem rapariga com tranças loiras e, na contracapa, a sua nuca, tudo sobre um fundo verde que produzia um belo efeito), um filme (
O Leopardo, de Visconti e Lampedusa;
O Tesouro da Sierra Madre, de Huston e Traven;
À Beira do Abismo, de Hawks e Chandler;
A Senhora do Cãozinho, de Heifetz e Tchekhov; etc), uma anedota (um artigo de Gilles Lapouge que falava de um exemplar de
Pan, de Hamsun, esquecido sobre um banco e reencontrado um ano mais tarde num clube nocturno num dos cais do Sena. O artigo tinha, para além disto, o atractivo de evocar uma «sociedade secreta» dos apreciadores de Knut Hamsun. É impossível resistir à oportunidade de pertencer a uma sociedade secreta de leitores!).
(…)»
Jacques Bonnet, in "Bibliotecas Cheias de Fantasmas" quetzal, 2010
trad. José Mário Silva