O CÃO

Exacto oboé de pelo
por quatro patas contido
humanos de não querer sê-lo
pontualmente enternecido

geométrica dose de amor
aos pés do dono rio
cão por fora absoluto
de cão não ser escondido

idioma de nascituro
povo no ovo, o seu latido
por nos seguir é cão.
Mas se seguido ?


Natália Correia

imagem de Greg Mably

5 comentários:

  1. Anónimo1:26 a.m.

    Caro Miguel...este poema faz parte...como sabe...do livro O Solstício da Besta...título lindo.
    Eu tenho um gato...como o sempre desejado Agostinho da Silva...adoro gatos.Como o meu amigo me fez por aqui apresentar semelhante bicho...em verso,claro...deixo outro.

    O GATO

    O gato nos atravessa
    como se fossemos invisíveis
    sua travessia é a peça
    que falta para sabermos

    que o corpo que tanto nos pesa
    de não ser àgua potável
    é o modo de desaperecermos
    aos olhos do gato o implacável

    Da casa ele é o génio
    que o telhado retém
    e o ardor das paredes
    impede que se extinga

    e por aí adiante......

    Isto para lhe dizer que tenho saudades da Natália...amiga das noites do velho Botequim...do Dórdio e de tantos outros.Ser velho é isto...é ter suadades de ter saudades.

    Cumprimentos

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  2. -Ora então muito boa noite!
    -...
    -É um café, "faxavor"!
    -...
    -Sim...dos loucos!
    -...

    Olha só que sitio difernte em vim descobrir, ainda por cima aberto a estas horas...um achado, sem dúvida!

    Gostei do ambiente...é bem frequentado...

    -Quanto é?
    -...
    -Ah, já está pago? Posso saber quem foi a alma caridosa que me pagou o café?
    -...
    - Um louco? Ah bom, ok! Agradeço!

    Sendo assim, vou voltar, talvez para a próxima vez, volte de manhã...um galãozinho e uma torrada devem saber bem na companhia dos loucos!

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  3. Anónimo3:02 p.m.

    Escrevi-te...

    :)

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  4. Uma séria “obra”, que tão bem nos afirma com a nossa modesta “insustentável leveza do ser”. O instinto de um cão, por vezes tão bem presente em nós, mas do qual pomos de parte, ignoramos com o nosso intelecto. Essa força racional que transforma a nossa visão em nós, aquando diante a um espelho, nas mais variadas formas, cores, personalidades, máscaras… Enquanto que um cão… vê um cão. Simplicidade no ser.

    “Timbuktu” de Paul Auster, uma boa estória de cães “para cães” Aconselho :)

    Nice coffee

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  5. "Pontualmente enternecido" é coisa que bem convinha à alma humana, para, de resto, se ser feito de razão.

    Gostei do poema.

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